O vento agita a cortina empurrando-a
para arejar o ambiente.
Silencioso percorre os cantos vazios, afastando o lúgubre calor
amotinado de suores humanos.
Uma folha ou outra de papel balança ao seu sabor, enquanto ao longe, soa
a sirene da polícia ou de alguma ambulância.
Risca a lâmina da claridade orgulhosos prédios impondo, contra a
gravidade, a arrogância genial do arquiteto.
Aos poucos o silêncio se rompe pela chegada da turba que, rápida, foi
almoçar.
Soam vozes aqui e ali, se misturam e
se amalgamam umas as outras para, assim, compor a quadratura da tarde.
Retardatários displicentes, num ato mecânico, se põem em seus lugares,
complementando o cenário do segundo ato.
Abrem-se as cortinas.
Os dados são lançados.
Um por todos e cada um que se foda.
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