sábado, 27 de julho de 2024

Segundo ato

 

O vento agita a cortina empurrando-a para arejar o ambiente.

Silencioso percorre os cantos vazios, afastando o lúgubre calor amotinado de suores humanos.

Uma folha ou outra de papel balança ao seu sabor, enquanto ao longe, soa a sirene da polícia ou de alguma ambulância.

Risca a lâmina da claridade orgulhosos prédios impondo, contra a gravidade, a arrogância genial do arquiteto.

Aos poucos o silêncio se rompe pela chegada da turba que, rápida, foi almoçar.
Soam vozes aqui e ali, se misturam e se amalgamam umas as outras para, assim, compor a quadratura da tarde.

Retardatários displicentes, num ato mecânico, se põem em seus lugares, complementando o cenário do segundo ato.

Abrem-se as cortinas.

Os dados são lançados.

Um por todos e cada um que se foda.

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