...um piano sonoriza a manhã
aumentando a distância nos dedos de Arthur Moreira Lima alimentando a saudade
recheadas de canções românticas
ultrapassadas...
...tudo é um tempo só, um tempo
quando o sol, nessa manhã, lentamente surge lembrando que o tempo passa
desgraçadamente sem que eu possa notar sua passagem de uma ida somente, cujo
destino conheço, mas que o escondo numa única palavra dita no recôndito
aconchegante do meu interior: estou só, eu e a minha saudade somos uma coisa
só, mesmo que no instante seguinte, desminto-me refazendo o texto, dando-lhe um
enfoque mais viril, porque sei que assim deve ser e não como quero que seja....
... dessa maneira, meus gestos
deveriam ser comedidos num respeito moral burguês cristão que, no entanto, ouso
jogar no lixo da incompreensão toda a parafernália moral de vivência por apenas
viver, porque há em meu peito um órgão pulsante obrigando a respirar cada
passada onde poderei tanto destruir como construir...
... dolorosamente compreendo as
insignificantes coisas que um simples trouxa não vê e, nessas coisas
insignificantes está a sensibilidade poética desse mundo de errante covarde, no
qual, viajo ora lutando bravamente, ora lutando covardemente deixando-me levar
entre detritos da individualidade social primata e consumista que não entende o
presente vivendo na angustia do futuro...
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