domingo, 22 de setembro de 2024

o acidente

 

... não se ouviu a freada brusca seguida do barulho da batida e nem de lataria retorcida e muito menos de vidros sendo quebrados, não se ouviu nada disso, e, muito menos se pode dizer que tenha sentido o corpo indo para frente e voltado para traz caindo pesadamente no banco, não, não pressentiu nada disso, apenas a batida na cabeça acima da nuca e ele em pé falando descontroladamente sem entender o que dizia, aos seus pés, no chão a bolsa a tiracolo que ele pegou, depois a mulher dizendo, minha bolsa, senhor sai daí logo, e foi então que viu o vidro traseiro todo estilhaçado, e o cobrador falando, alguém se machucou, não ninguém se machucou, foi à resposta, sentia a dor meio que violenta na cabeça, passava a mão na esperança de que não tivesse sido nada mais que uma pancada, os passageiros ficaram indecisos no que fazer, pois o micro ônibus estava atravessado na rua atrapalhando o trânsito o qual queria ser descongestionado findando o buzinar insistente, dali a pouco surgiu o motorista, encostou o veiculo, desceram, desnorteado não sabia para onde ir, foi para a traseira, voltou, desistiu, foi para frente, tornou a voltar, se encostou na parede, por fim deu o sinal para outro micro ônibus que parou, entrou, sentou no último banco, ainda bem que há o bilhete único, senão seria aquela bagunça de pagar ou não novamente a condução, encostou a cabeça no banco, seu controle emocional estava voltando ao normal, apenas a dor furando a cabeça com pontadas finas rasgando as fibras do osso levando-o a passar constantemente a mão na certeza de que fora apenas uma batida e nada mais, fechou os olhos, deixou a escuridão do nada invadir seus olhos, foi pouco a pouco sendo levado, e sorriu, não feliz, sorriu por não estar mais sentindo a dor, sorriu e virou a cabeça para o lado e...

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