... não se ouviu a freada brusca
seguida do barulho da batida e nem de lataria retorcida e muito menos de vidros
sendo quebrados, não se ouviu nada disso, e, muito menos se pode dizer que
tenha sentido o corpo indo para frente e voltado para traz caindo pesadamente
no banco, não, não pressentiu nada disso, apenas a batida na cabeça acima da
nuca e ele em pé falando descontroladamente sem entender o que dizia, aos seus
pés, no chão a bolsa a tiracolo que ele pegou, depois a mulher dizendo, minha
bolsa, senhor sai daí logo, e foi então que viu o vidro traseiro todo
estilhaçado, e o cobrador falando, alguém se machucou, não ninguém se machucou,
foi à resposta, sentia a dor meio que violenta na cabeça, passava a mão na
esperança de que não tivesse sido nada mais que uma pancada, os passageiros
ficaram indecisos no que fazer, pois o micro ônibus estava atravessado na rua
atrapalhando o trânsito o qual queria ser descongestionado findando o buzinar
insistente, dali a pouco surgiu o motorista, encostou o veiculo, desceram,
desnorteado não sabia para onde ir, foi para a traseira, voltou, desistiu, foi
para frente, tornou a voltar, se encostou na parede, por fim deu o sinal para
outro micro ônibus que parou, entrou, sentou no último banco, ainda bem que há
o bilhete único, senão seria aquela bagunça de pagar ou não novamente a
condução, encostou a cabeça no banco, seu controle emocional estava voltando ao
normal, apenas a dor furando a cabeça com pontadas finas rasgando as fibras do
osso levando-o a passar constantemente a mão na certeza de que fora apenas uma
batida e nada mais, fechou os olhos, deixou a escuridão do nada invadir seus
olhos, foi pouco a pouco sendo levado, e sorriu, não feliz, sorriu por não
estar mais sentindo a dor, sorriu e virou a cabeça para o lado e...
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