- Porque o senhor não pergunta para
o Japonês?
- E você acha que o gato vai estar lá?
- Eu acho.
- E como você pode ter certeza?
- Ele não estava seguindo a gata preta?
- Estava.
- E até fez aquela barulheira de madrugada.
- É que bateram nas tábuas debaixo da janela.
- A gata preta é do Japonês, se não for dele, é da outra vizinha.
- Não vai adiantar. E depois, se ele falar: É, o gato está aqui sim, mas é
da minha filha. O que eu vou dizer.
- Pede para ele provar.
- Provar! Se realmente ele fosse nosso... Mas, ele chegou assim como não
quer nada e foi ficando.
É, chegou como não quer nada e foi ficando.
Nunca tivemos um animal, não por que não queríamos, mas porque morando no
terreno da casa da sogra, já viu.
Mas o gato chegou miando pelos cantos do terreno, vinha na gente batia com
a cabeça com uma certa força na perna como se quisesse algo. Colocamos água,
leite, pedaços de carne que meio a contragosto foi comendo.
Cinza, pelo suave, curto, bonito, com uma coleira que, depois ficamos
sabendo ser antipulga. Na verdade ele não tinha pulga, não tinha nada que o
desabonasse. Parecia ser um gato de madame, vivendo em apartamento, mimado, só
comendo na mão da gente.
Resolvemos levar o gato na veterinária. Ah! Para tirar ele de casa, foi um
trabalho! O bichano tinha medo da rua. Na primeira tentativa o gato saltou dos
meus braços e fugiu para o fundo do quintal. Precisamos, com uma toalha grande,
envolvê-lo totalmente, tampando sua cara e, assim mesmo, me deu várias
mordidas.
A veterinária não achou nada nele, nenhuma doença, e concordou quando
dissemos que era gato mimado, só comia na mão, que deveria ser de alguém que
mudou e, procurando a casa antiga se perdera. Nos orientou que comida comprar,
deu um remédio que ele tomou na marra e, se prontificou ficar a nossa
disposição caso dela necessitássemos.
Já vai para dois meses que folgadamente ele se esparrama no sofá como se
fosse o dono. Não é um gato que brinca, pula, corre, salta, não, fica quieto, o
maior tempo deitado, se achega no colo da gente e fica todo encolhido.
Mas na manhã de quarta-feira estranhamos, tinha sumido. Trocamos a água, a
comida e, mesmo assim não apareceu. Procuramos nos cantos do quintal e nada, não
achamos. Ficamos chateados, meio triste, já estávamos nos apegando a ele.
- Isso tinha que acontecer.
- Para onde será que ele foi?
- Vai ver que voltou para sua casa.
- Não sei, acho que ele seguiu a gata preta...
- Fique sossegada, se ele tiver que voltar ele volta.
No fim da tarde já estávamos conformados. Parecia que faltava alguma coisa,
sentíamos a falta dele.
À noite, estávamos assistindo CSI (Crime Scene Investigation), quando
ouvimos um miado meio distante. Corremos para o quintal. Lá estava ele, miando
com fome.
- Sábado vamos levar ele para a veterinária medicar suas feridas.
- Pai!
- O que?
- Mandamos castrar?
- É maldade não acha?
- Acho.
- Se ele futuramente aparecer muito machucado, aí acho que devemos castrá-lo.
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