O promotor até que tinha certa razão, só que não podia
levar em consideração com tanta eficácia o depoimento de um menino que na época
do crime tinha onze anos. Jogou a responsabilidade para os jurados, acontece
que estes não possuem uma qualificação contundente, ficaram quietos, não caíram
na falácia do promotor. A acusação deveria antes ter pedido o livro de fotos
para reconhecimento e no julgamento tivesse o livro à mão e assim sanar a
dúvida. Os réus quando detidos, como é de praxe, são fotografados, e na ocasião
um deles estava com barba. Quando o menino, no tribunal, não reconheceu um dos réus,
pois ele estava sem barba. Foi então que o promotor acionou seus asseclas e
conseguiu a informação que na prisão os condenados não podem ter barba e nem
cabelo comprido. Por isso o réu estava ali sem barba.
O pior ou o mais engraçado, é que a mãe do menino
reconheceu os dois réus sendo até categórica com relação ao que matou o marido.
E outro ponto que achei que o promotor estava com a razão. Um dos réus, o que
realmente matou o pai do menino estava de camiseta branca e, o outro, estava
com blusa vermelha. O promotor queria que eles trocassem de camisa e blusa para
ver se o menino realmente reconhecesse o que estava sem barba. Mas o juiz não
concordou por estar o promotor fazendo as coisas como se fosse ele o dono do
plenário, o que achei que ele, o promotor se excedia, mas a idéia era boa. Foi
infeliz não propondo ao juiz sua idéia antes de realizá-la.
Dois sujeitos tinham ido a favela cobrar uma dívida,
mas ao chegar lá foram perseguidos por um bando de seis caras e, na fuga,
entraram na casa do pai do menino assassinando o coitado friamente na frente do
filho e da mulher. E os dois, mãe e filho, acusaram ter sido o réu de camisa
branca.
Encurtando a história, o réu de camisa branca pegou
dezoito anos de cadeia, com atenuante, pois além de matar o pai, feriu outro, e
na ocasião ele tinha dezoito anos. O outro réu foi absolvido mesmo fichado na
polícia e ter já pego cadeia por delitos anteriores.
Isso é a vida...
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