Mãos espalmadas alcançam o teto das indignações.
Sentidos equilibram-se no movimento das emoções
desencontradas.
Ouvidos atentos procuram nos sentimentos dispersos
apoio à preocupação em chegar no horário do destino.
Nisso uma pequena mão espalma sua curiosidade na página
do livro que o senhor de cabelos brancos está lendo.
Desviando o olhar da página, o senhor ergue os olhos e
meigamente sorri para a criança que no colo do pai ou de algum parente,
retribui com aquele olhar perdido, talvez sem entender o que se passa.
Os pequenos dedos ainda em crescimento tentam pegar o
livro e sorri como se dissesse: “Não tenho medo do senhor.”
E novamente sorri agora despreocupada sem saber os
perigos da vida.
Dali a instantes o senhor fecha devagar o livro e
estende para aquela mão virgem de caricias e ações.
A criança tenta segurar o livro e não consegue.
O senhor sorri.
Retira a mão da criança que abraça como pedindo
proteção o pescoço do pai ou de algum parente,
O senhor guarda o livro em sua pasta e, acariciando a
pequena mão, se despede da criança que não vê nele mais nenhum perigo.
A voz do alto falante anuncia o fim da viagem onde, o
senhor e a criança se dispersam na poeira dos compromissos esquecendo-se
um do outro.
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