quinta-feira, 5 de setembro de 2024

O senhor e a criança.

 

Mãos espalmadas alcançam o teto das indignações.

Sentidos equilibram-se no movimento das emoções desencontradas.

Ouvidos atentos procuram nos sentimentos dispersos apoio à preocupação em chegar no horário do destino.

Nisso uma pequena mão espalma sua curiosidade na página do livro que o senhor de cabelos brancos está lendo.

Desviando o olhar da página, o senhor ergue os olhos e meigamente sorri para a criança que no colo do pai ou de algum parente, retribui com aquele olhar perdido, talvez sem entender o que se passa.

Os pequenos dedos ainda em crescimento tentam pegar o livro e sorri como se dissesse: “Não tenho medo do senhor.”

E novamente sorri agora despreocupada sem saber os perigos da vida.

Dali a instantes o senhor fecha devagar o livro e estende para aquela mão virgem de caricias e ações.

A criança tenta segurar o livro e não consegue.

O senhor sorri.

Retira a mão da criança que abraça como pedindo proteção o pescoço do pai ou de algum parente,

O senhor guarda o livro em sua pasta e, acariciando a pequena mão, se despede da criança que não vê nele mais nenhum perigo.

A voz do alto falante anuncia o fim da viagem onde, o senhor e a criança se dispersam  na poeira dos compromissos esquecendo-se um do outro.

 

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