A temperatura fria da carne
ferida pelo tempo arrasta o dia que demorará a passar revelando assim a
inconstância da vida.
Fria a carne se dilacera em
orgasmos abstratos de solidão rememorando dias gloriosos que talvez poderão
voltar novamente para a felicidade de dois corações ora separados.
Dilacera os gelados dedos em
transpor para o papel ou para a tela fria do computador sentimentos guardados
em caixas minúsculas alojadas na memória deflagrada pelo o amor distante.
Gelados correm os fios metálicos
ferindo em ondas silenciosas os passos que no dia a dia serão impressos na
calçada solitária perseguindo o perfume que ficou impregnado na pele em noites
quentes de amores.
Correm, sim correm, correm numa
lentidão cuja sina se vê impregnado na face saudosa de risos de seu rosto que
longe poderá estar fazendo o que?
A temperatura fria cruza num
risco leve o rio em que navego ao sabor da correnteza... mas não estou triste
e, sim, apenas melancólico...
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