sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Navego no rio o qual não sei o nome.

  

A temperatura fria da carne ferida pelo tempo arrasta o dia que demorará a passar revelando assim a inconstância da vida.

 

Fria a carne se dilacera em orgasmos abstratos de solidão rememorando dias gloriosos que talvez poderão voltar novamente para a felicidade de dois corações ora separados.

 

Dilacera os gelados dedos em transpor para o papel ou para a tela fria do computador sentimentos guardados em caixas minúsculas alojadas na memória deflagrada pelo o amor distante.

 

Gelados correm os fios metálicos ferindo em ondas silenciosas os passos que no dia a dia serão impressos na calçada solitária perseguindo o perfume que ficou impregnado na pele em noites quentes de amores.

 

Correm, sim correm, correm numa lentidão cuja sina se vê impregnado na face saudosa de risos de seu rosto que longe poderá estar fazendo o que?

 

A temperatura fria cruza num risco leve o rio em que navego ao sabor da correnteza... mas não estou triste e, sim, apenas melancólico...

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