sexta-feira, 29 de novembro de 2024

É foda

  

...carro pegando fogo, fumaceira, trânsito ruim; “moço, tem uma abelha nas tuas costas”, disse a moça ao ultrapassar por mim, “onde?”, perguntei, “tire para mim”, “da licença”, e ela com medo de me tocar ou de ser ferroada pela abelha, espantou a dita cuja; esse lado da avenida não é nada legal, uma calçada suja, disforme, cheia de buracos, carrinhos de bolos, pães, café, banca de frutas, o Center Três todas as manhãs com tapume de madeira, entre os vasos na calçada da Frei Caneca há sempre uma mendiga sentada escrevendo, outro dia ela estava escrevendo num vidro e no outro  num caco de garrafa, será que ela é feliz? não sei, comecei duas histórias que não consigo continuar, o bebedouro com água gelada, a máquina de café todas as manhãs quebradas, não sei, mas acho que do outro lado da avenida estávamos melhor ou... eu estava melhor; não sei, tantos motivos para escrever uma crônica ou sei lá o que e não tenho pique, não tenho motivação... ah! sei lá... nem sempre é tudo como queremos e sempre temos que nos sujeitar por causa dessa maldita sobrevivência... o negócio é chutar o balde cheio de merda, mandar pra puta que pariu as preocupações e continuar... continuar... continuar... e nunca cair... é foda!

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