O branco da mente invade, se
confunde, se interpenetra com o branco da telinha do monitor – antigamente era
o papel -, meus dedos descansam sobre as teclas do computador – antigamente era
a caneta ou a máquina de escrever -, à espera de alguma ordem vinda do cérebro
meio que cansado e profanar com palavras nem sempre condizentes com o que se
pensa ou se deseja pensar e muito menos com o que se deseja escrever. Nem tudo
é como a gente desejaria que fosse.
Sou influenciado por um filme em
que o personagem atacava com avidez o teclado numa enxurrada de palavras em que
ele depois reescreveria criando assim uma pequena obra literária. Esse
personagem é interpretado pelo ator, por sinal, o excelente Sean Connery, em
que ele dá uma aula de como se deve escrever ao aprendiz a escritor que invade
o seu apartamento.
Ataco o teclado, não com avidez
como o personagem do Sean Connery, mas com certa reserva onde o pensamento se
coloca em primeiro plano preocupado, não com o que vou escrever, e sim, com o
que o leitor vai achar ridicularizando ou não essa tentativa ridícula de pensar
que sou escritor.
Cada texto que crio que
transporto da mente ao papel, isto é, à telinha do monitor, é sempre uma
tentativa, às vezes experimental, às vezes inconsciente, outra bloqueada por
uma temeridade critica outras frustradas indo rapidamente para o lixo
eletrônico.
Não ouso vôos literários, não
adianta me pavonear de escritor, não tenho estilo que se sustente por si
próprio. Meu estilo, se é que tenho um estilo, é despreocupado, não é engajada
a nenhuma linha literária, a nenhuma corrente de fácil acessibilidade. Não
consigo um escrever leve, fácil, expressivo, algumas vezes sem que perceba saí
um texto espontâneo sem precisão de reescrevê-lo inconseqüentemente a ponto de
sentir o forjar da escrita espremida, angustiada.
Bom... é isso...
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