segunda-feira, 25 de novembro de 2024

E vou dormir

  

O Word aberto. O branco da telinha desponta ferindo o branco de outros lugares, prédios, paredes, papéis e o branco fugaz que num repasse translúcido fere a mente obrigando-a a pensar no que os dedos deverão teclar letras correspondentes e assim fazer com que surgem palavras transmitindo o meu pensar de escritor sem ter o que escrever.

Que merda! De novo esse dilema! De novo escrever sobre isso?!

Não há variações nessa escrita de molambo sempre em perigo caminhando a beira do precipício da alma sem ter o que falar apenas imprimindo palavras a esmo e, o que é pior, querer que tenham conexão entre si para que possa ser chamado de escritor.

Imbecil! Não passa de um rufião sonolento sem perspectivas de se alçar em voos panorâmicos da intelectualidade primata onde o que se realça é a paranoia afogada nos próprios desígnios conturbando o que pretende dizer.

Trouxa! Aposente os dedos masturbadores de vermes pousados no teclado a cata de letras para que possa existir.

Fecho o Word. Desligo o micro. E vou dormir...

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