segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Escrevo na obscuridade

 Escrevo na obscuridade da alma como faca cortando o peito em dois.

 

Remexo no fundo do poço o sangue das palavras por puro prazer em sentir a pulsação sonora.

 

Rasgo a pele do sentimento numa entrega exorcizante sempre buscando o limite do existir e não existir.

 

Cultuo o tesão da forma, misturando sonhos com fracassos num delírio homicida sem culpa e sem preconceito.

 

E do lirismo idiota, filtro o processo criativo numa gestação traiçoeira até que o texto fique puro e a perfeição me consuma.

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