segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Ah! rua Silvia... 2

 

Segui o caminho indicado e ao virar à direita deparei com dois homens, um magro, de bigode, o outro, mais velho, pelo menos aparentava, cabelo cinza, talvez pintado, nem gordo e nem magro, com uma voz sibilante, indicou a cadeira a sua frente:

- Por favor, sente.

- Senhor Nilson?

- Sim.

Sentei esperando a bateria de perguntas, mas apenas me perguntou:

- Você mora onde?

- Zona leste, Cangaiba.

- Onde fica isso?

- Depois da Penha.

- É meio longe não acha?

- É do outro lado da cidade, mas não se preocupe, não chegarei atrasado não.

- Bom do jeito que você fala até parece que já está empregado.

- Não, nada disso, é que ao chegar aqui senti segurança, só isso, mas não me considero empregado não. Ainda não fiz o teste, não é?

- Certo. Quanto tempo você é operador NCR?

- Uns cinco ou seis anos.

- Tem prática então?

- Sim.

- Pois bem, você fará o teste e depois conversamos certo?

- Tudo bem.

Pegou o telefone e ligou para alguém:

- Castilho... Bom dia... Tudo bem... Certo! Não, espere... Venha até aqui, desça aqui... Não, agora. Obrigado.

Dali a pouco chegou um rapaz moreno claro:

- Castilho.

- Sim, Nilson.

- Leve o... o seu nome mesmo...

- Osvaldo.

- Ah! Leve o Osvaldo e dê umas fichas para ele lançar e, depois volte aqui.

- Ta certo Nilson.

- Vai com ele, Osvaldo.

- Está certo.

Segui o rapaz chamado Castilho. Boa pessoa, falante, tirador de sarro. Subimos um andar.

- O serviço está super atrasado. O rapaz que trabalhava como operador NCR, sem explicações nenhuma, pediu a conta. Como eu já tinha certa prática, me colocaram no lugar dele.

Entramos numa sala onde a máquina NCR quase que tomava conta do espaço. Ao lado dela tinha uma mesa com uma calculadora.

- Você vai lançar esse dia que comecei e vamos ver como vai se sair.

O movimento do dia era meio grande, cada ficha tríplice apresentava de dois a quatros lançamentos. Não me acanhei, estava num terreno que eu conhecia, portanto em menos de cinco minutos tinha lançado tudo. O Castilho se assustou:

- Que? Já terminou?

- Sim.

- Bom, vamos descer e ver o que o Nilson vai dizer.

Descemos, estávamos no décimo primeiro andar. Chegamos lá, sentei de novo em frente ao Nilson. O Castilho mostrou a ficha contábil onde eu tinha feito os lançamentos.

- Nilson, aqui está o movimento que ele lançou e a ficha.

O Nilson olhou para a ficha, leu, e falando para mim:

- Bom, parece que está tudo certo, está bom, mas ainda tem mais candidato para se apresentar, daqui dois dias lhe daremos a resposta. Certo?

- Tudo bem – respondi desanimado.

- Se daqui a três dias não lhe comunicarmos nada, telefone pra gente. Está aqui o telefone.

- Falou senhor Nilson e...

- Por favor, nada de senhor...

- Tudo bem, Nilson

- Até mais, Osvaldo

Saí do prédio pensando: bem se não deu certo dessa vez, aparecerá outra que poderá ser melhor que essa. Mas para minha surpresa, no dia seguinte, logo às nove horas, me ligaram dizendo que eu tinha passado. Que me apresentasse naquele dia mesmo com os documentos. E, é claro, á uma hora estava lá e no dia seguinte comecei a trabalhar nesta família chamada Liquigás.

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