A rua Silvia é uma rua estreita, com pouco
movimento de carros, na frente do prédio havia uma lanchonete, ao lado um
estacionamento, uma creche, o prédio até que tinha sua imponência
característica de todos edifícios, tinha um aspecto diferente, pois parecia um
navio, um transatlântico, seu bico arredondando impunha uma arrogância arquitetônica.
Como tinha vindo pela Paulista, passando pela
Pamplona, peguei a rua no início e, por ser uma ladeira, descia verificando os
números, quando me defrontei com o branco rústico de sua pintura, tendo o nome
da firma num espaço grande bem visível: LIQUIGÁS.
Na mesma hora pensei, se eu conseguir o emprego desse não vou sair, se não
me mandarem embora, sairei só depois de aposentado.
O hall de entrada não era propriamente o que eu
esperava que fosse, espaçoso, com o balcão de atendimento à direita de quem
entra e os elevadores à esquerda e, um pouco ao fundo, o relógio de ponto.
Apresentei-me, a recepcionista ligou para alguém e pediu que eu esperasse.
Foram minutos não angustiados, poderia ser que naquele momento eu estivesse,
mas pensando hoje com mais clareza, creio que não foram tão angustiosas como
foram outras esperas. Verifiquei que vários funcionários batiam o cartão de
ponto entre oito horas e oito e meia. Será que o regime era de horário
alternativo? Isto é, quem entrava às oito sairia às dezessete horas e, quem
entrava as oito e meia sairia as dezessete e meia? Não precisei esperar muito
tempo para saber isso não. A recepcionista me chamou e me indicou o andar e a
sala aonde deveria me apresentar. Entrei no elevador e pressionei o botão correspondente.
Saindo do elevador dei de cara com a sala. A porta da sala aberta entrei
ressabiado. À esquerda vi primeiramente, dois funcionários, um moreno e um
moreno claro. Perguntei para um deles:
- Por favor, senhor Nilson?
- Nilson, o candidato que você esperava está aqui –
gritou o moreno.
- Mande ele aqui – ouvi uma voz
- Segue em frente à direita.
Segui o caminho indicado e...
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