Filigrana por filigrana a noite se estampa no lusco fusco das calçadas iluminadas pela humanidade metálica com sua ferocidade deteriorada nos passos dolentes da caterva silenciosa.
Cada passada, meus pés congelados, protegidos por frágeis sapatos imitando
couro, ao invés de me conduzir para frente como todo mundo faz, me conduzem
para trás sem que entenda o porquê e para que.
Grito no estertor da luz dos carros que veloz passam. Grito um grito luzidio de
terror imotivado pelo medo de compreender o sentido das coisas e me agarro na
esperança de me lançar novamente à frente.
Porém, cansado, sento no meio fio da calçada, me encolho abatido pela pressão
da vida trespassando a alma no bojo da ausência de que não estou onde deveria
estar ou queria estar.
Assim penso prender a felicidade na palma da mão.
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