Se você não tem coragem de abrir a porta,
abra a janela. Não olhe pela fresta.
Deixe o ar entrar livremente, arejando
o quarto da escura mente.
Sinta o frescor das manhãs úmidas,
orvalhadas nas longas madrugadas.
Ouça o canto alegre dos passarinhos,
anunciando um novo dia.
A janela do meu quarto fica
no décimo quinto andar,
entre roseiras e mangueiras,
onde pássaros de cimento,
de gasolina e álcool cantam
à noite e o dia inteiro.
Ouço o rugir de bichos entregues
aos afazeres despreocupados,
se engalfinhando no mar de asfalto,
sobrevivendo por descuido
da natureza.
Mesmo assim, não tenho medo.
Abro a janela do meu quarto
e, despreocupado, olho para o céu
escuro — e ainda consigo ver
o brilho das estrelas.
Da janela do meu quarto não dá
para ver a imensidão da natureza,
mas, da janela do meu quarto,
vejo a imensidão das proezas
de cada ser, realizando cada ato.
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