sexta-feira, 20 de junho de 2025

O sol delineia figuras

 O sol delineia figuras esparsas na dança ritmada de braços e pernas que volteia no ar sua concreta existência de ser tão somente ser.

O amarelo tinge a água do mar calmamente num findar do dia criando um clima de tristeza morna representada no dançar de forma e geometria alucinada.

Corpos providos de resistência física e mental, desafiando a lei da gravidade, se jogam no espaço curto do flash aprisionando-os para sempre no papel Kodak.

Observados pelo olhar fotográfico permanecerão ao findar a resistência material do papel como prova de que ali – onde? – algo aconteceu para ser, até o findar a existência do papel admirado como proeza artística de uma sensibilidade poética inigualável e bonita.

Surdos ao poder de exclamações positivas permanecerão em nossas mentes burguesas apodrecidas pelo cansaço da sobrevivência, como um ato infindável e imorredouro de uma proeza humana, não extrema, mas de possível desconhecimento das figuras fotografadas.

E o sol, o mar e as figuras se integram harmoniosamente num único e selado beijo.

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