O sol delineia figuras esparsas na dança ritmada de braços e pernas que volteia no ar sua concreta existência de ser tão somente ser.
O amarelo tinge a água do mar calmamente num findar
do dia criando um clima de tristeza morna representada no dançar de forma e
geometria alucinada.
Corpos providos de resistência física e mental,
desafiando a lei da gravidade, se jogam no espaço curto do flash
aprisionando-os para sempre no papel Kodak.
Observados pelo olhar fotográfico permanecerão ao
findar a resistência material do papel como prova de que ali – onde? – algo
aconteceu para ser, até o findar a existência do papel admirado como proeza
artística de uma sensibilidade poética inigualável e bonita.
Surdos ao poder de exclamações positivas
permanecerão em nossas mentes burguesas apodrecidas pelo cansaço da
sobrevivência, como um ato infindável e imorredouro de uma proeza humana, não
extrema, mas de possível desconhecimento das figuras fotografadas.
E o sol, o mar e as figuras se integram
harmoniosamente num único e selado beijo.
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