quarta-feira, 25 de junho de 2025

Zanzando pelo teatro

 

 

Zanzando pelo teatro da vida, abro portas, atravesso corredores, me perco feito tolo — até que, por fim, encontro uma saída.

Se uma porta não cede, sigo para a próxima, e a próxima, e a próxima… até que alguma se abra e me lance a um prado límpido, cálido, perfumado de manhã.

Quase nunca fecho as portas. No máximo, deixo-as entreabertas — convite mudo a quem quiser me seguir. Fechá-las? Nunca. Porta fechada é coração parado.

Deixo, por hábito, uma fresta de luz atrás de mim — um rastro tênue para quem desejar seguir meus passos. Mas peço: não os repitam. Caminhem ao lado, se quiserem, até de mãos dadas, mas que os passos sejam seus, únicos, crescidos no espaço que é de cada um.


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