Zanzando pelo teatro da
vida, abro portas, atravesso corredores, me perco feito tolo — até que, por
fim, encontro uma saída.
Se uma porta não cede, sigo para a próxima, e a próxima, e a próxima… até
que alguma se abra e me lance a um prado límpido, cálido, perfumado de manhã.
Quase nunca fecho as portas. No máximo, deixo-as entreabertas — convite mudo
a quem quiser me seguir. Fechá-las? Nunca. Porta fechada é coração parado.
Deixo, por hábito, uma fresta de luz atrás de mim — um rastro tênue para
quem desejar seguir meus passos. Mas peço: não os repitam. Caminhem ao lado, se
quiserem, até de mãos dadas, mas que os passos sejam seus, únicos, crescidos no
espaço que é de cada um.
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