quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico ou VII Encontro Quântico.

Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico
O inverno foi embora e a primavera esparrama raios de sol na área florida derramando luz e calor. Muitas palavras povoam a minha mente e muitas são descartadas sem responder à pergunta:

- Como começarei a crônica para o sétimo encontro?
- Começando do começo, respondem os dedos.
Acontece que crônica descritiva acaba sendo repetitiva e sem conteúdo, entendem? Não sei se entendem. Mas vamos lá.  
- Mas espere.
- Esperar o que.
- Por favor, faça com que digitamos palavras com conteúdo...
- É claro, não sou provido de palavras somente por palavras.
- Assim espero.
- E além do mais descobri algo que me fascinou por completo.
- O que foi?
- Descobri Amnésia Quântica.
- O que???????
- É Amnésia Quântica.
- Pronto lá vem ele com essa... como se diz... bobagem... não, ah lembrei: esquisitice quântica.
- É não deixa de ser, mas vou explicar.
- Por favor, os seus dedos estão prontos para ouvir ou, melhor, para digitar.
- Então existe Amnésia alcoólica, Amnésia amorosa e agora Amnésia quântica.
- Senta que lá vem história.
- Então a alcoólica quase todo mundo conhece ou já passou por uma.
- Lembra quando você ou nós, não sei como dizer, vou optar por você. Então lembra aquela vez que você chegou todo urinado...
- Por favor, não vamos entrar em detalhes, ok?
- Está bem, mas que foi engraçado foi.
- Dedos bestas.
- Somos parte de você.
- Então a alcoólica é terrível, você não lembra de nada, como chegou em casa, como pegou a condução, dá um branco total, um vazio de besteiras de arrependimento.
- Principalmente quando se acorda no dia seguinte e vê uma pessoa desconhecida ao seu lado na cama, argh!
- Pedi para não entrar em detalhes sórdidos, por favor.
- Não estou falando mentira, imagina, você acorda e dá de cara com tribufu ao seu lado, hein, nós já passamos muito por isso, não é.    
- Se vocês não ficarem quietos vou esganar vocês.
- Essa eu quero ver, dedos não tem pescoço...
- Então prosseguindo. A amnesia amorosa é linda e prazerosa.
- Principalmente quando nós, dedos, passamos as pontas bem de leve sobre uma pela lisa e suave e doce como maçã...
- Maçã!? Não seria pêssego.
- Poderia, mas pêssego virou clichê demais, optamos por maçã.
- Ah tá.
- E aí nós, os dedos, devagarinho vamos descendo por entre os seios, chegando ao umbigo e lentamente nos introduzimos por entre a calcinha rendada... é claro, se for mulher...
- Pera aí, porque se for mulher? Logicamente que será mulher.
- Nós, os dedos, obedecemos, não sabemos a preferência...
- Escuta vamos parar de besteira...
- Ok.
- Essa amnesia é deslumbrante porque se houver alquimia entre os corpos, tudo o que está a volta some, desaparece, você flutua, vai ao nirvana...
- Ih! Esse negócio de nirvana vou te contar. Está bem, essa também conhecemos muito bem, né. Estamos curiosos pela Quântica e, posso imaginar que nós, os dedos, não tivemos participação...
 - Pensando bem, creio que não.
- Então devemos ficar quietos, mesmo, droga!
- Até que enfim caiu a ficha.
- Bobo.
- Antes de continuar quero pedir algo.
- O que?
- Não levem muito a sério minhas palavras.
- Porque?
- Porque nem mesmo eu tenho tanta certeza do que aconteceu.
- Ok, vamos ouvir sem questionamento.
- Então, até chegar ao espaço Nis foi cruelmente normal, não ocorreu nada.
- Cruelmente!?
- Por favor, posso usar a licença poética?
- Claro, claro.
- Obrigado. Chegando, cumprimentei o pessoal, subi, troquei umas palavras com o Marco...
- Trocou palavras? Palavras se veste? Gostaríamos de saber com que palavras estava vestido...
- Já mencionei que vocês são bestas?
- E nós já respondemos: somos parte de você.
- Bem em seguida a nossa querida e meiga Mariane deu início ao espetáculo. Como sempre ocorre, João Cássio, mestre iluminado, se posicionou para a meditação. Nesse momento é que senti, não sei se estranho, só sei que entrei num estado de transe ou tenha mesmo caído num pequeno cochilo, pois não lembro, quando percebi a mestra Adriana já estava nos ensinamentos do livro Mente in-formada e, a partir daí uma impaciência me dominou. Esticava as pernas, dobrava a direita, a esquerda, uma formicação queimava a perna de cima a baixo, não conseguia ficar acomodado de jeito nenhum. A boca seca pedia água, pensei quinhentas mil vezes em tomar e desisti quinhentas mil vezes, não ia atravessar toda a sala, atrapalhar a Adriana, olhei outras quinhentas mil para o relógio, jogava o corpo para um lado e para o outro, foi um sufoco. No depoimento do Alexandre – espero que seja esse o nome, e me desculpe se não for – parece que a impaciência tinha me deixado, consegui ouvir um pouco. Desci para o intervalo do café com a convicção de que melhoria. Pensei, vou tomar o famoso chá da Nani e espantar o mal-estar. Mas, desculpe Nani o chá não me conquistou, estava saboroso, talvez por não gostar ou por não ter o costume de tomar chá, mesmo assim tomei dois copos. Quando André Santos começou a palestra sobre Prosperidade o poder do observador, fiquei abismado com sua magreza que parecia transmitir fragilidade onde pude notar o meu engano, com voz firme transmitiu muito bem a palestra da qual puder absorver o final. Sim, o final, não sei o do porquê, não lembro o início e nem o meio, apenas o final quando a amiga da Nani estava dando o seu depoimento, – desculpe ainda não guardei o teu nome - isto é, parece que acordei naquele instante e mesmo assim, pouco entendi ou ouvi o que ela dizia. Senti-me horrível, a sensação que tinha que não devia estar ali, e sim, em outro lugar, bateu uma angustia, uma ansiedade, que só melhorou com o sapateado do Marcelo que, com desenvoltura e arte mostrou toda a beleza do sapateado dando comichão nos pés da gente.          
- Só isso?
- Sim.
- Amnesia Quântica?
- Sim.
- Conta outra meu. Você dormiu mesmo essa é que é a verdade.
- Não... Sim...
- Você tem é uma criatividade muito boa.
- Obrigado.
- Amnesia Quântica vamos acreditar para não perder a amizade.
- Não acreditam mesmo...
- Cê dormiu isso sim.
- Será?!

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