Continuando o aprendizado do aprendiz no mundo quântico
O inverno foi embora
e a primavera esparrama raios de sol na área florida derramando luz e calor. Muitas
palavras povoam a minha mente e muitas são descartadas sem responder à
pergunta:
- Como começarei a
crônica para o sétimo encontro?
- Começando do
começo, respondem os dedos.
Acontece que crônica
descritiva acaba sendo repetitiva e sem conteúdo, entendem? Não sei se
entendem. Mas vamos lá.
- Mas espere.
- Esperar o que.
- Por favor, faça
com que digitamos palavras com conteúdo...
- É claro, não sou
provido de palavras somente por palavras.
- Assim espero.
- E além do mais
descobri algo que me fascinou por completo.
- O que foi?
- Descobri Amnésia
Quântica.
- O que???????
- É Amnésia
Quântica.
- Pronto lá vem ele
com essa... como se diz... bobagem... não, ah lembrei: esquisitice quântica.
- É não deixa de
ser, mas vou explicar.
- Por favor, os seus
dedos estão prontos para ouvir ou, melhor, para digitar.
- Então existe
Amnésia alcoólica, Amnésia amorosa e agora Amnésia quântica.
- Senta que lá vem
história.
- Então a alcoólica
quase todo mundo conhece ou já passou por uma.
- Lembra quando você
ou nós, não sei como dizer, vou optar por você. Então lembra aquela vez que
você chegou todo urinado...
- Por favor, não
vamos entrar em detalhes, ok?
- Está bem, mas que
foi engraçado foi.
- Dedos bestas.
- Somos parte de
você.
- Então a alcoólica
é terrível, você não lembra de nada, como chegou em casa, como pegou a
condução, dá um branco total, um vazio de besteiras de arrependimento.
- Principalmente
quando se acorda no dia seguinte e vê uma pessoa desconhecida ao seu lado na
cama, argh!
- Pedi para não
entrar em detalhes sórdidos, por favor.
- Não estou falando
mentira, imagina, você acorda e dá de cara com tribufu ao seu lado, hein, nós
já passamos muito por isso, não é.
- Se vocês não
ficarem quietos vou esganar vocês.
- Essa eu quero ver,
dedos não tem pescoço...
- Então
prosseguindo. A amnesia amorosa é linda e prazerosa.
- Principalmente
quando nós, dedos, passamos as pontas bem de leve sobre uma pela lisa e suave e
doce como maçã...
- Maçã!? Não seria
pêssego.
- Poderia, mas
pêssego virou clichê demais, optamos por maçã.
- Ah tá.
- E aí nós, os
dedos, devagarinho vamos descendo por entre os seios, chegando ao umbigo e
lentamente nos introduzimos por entre a calcinha rendada... é claro, se for
mulher...
- Pera aí, porque se
for mulher? Logicamente que será mulher.
- Nós, os dedos,
obedecemos, não sabemos a preferência...
- Escuta vamos parar
de besteira...
- Ok.
- Essa amnesia é
deslumbrante porque se houver alquimia entre os corpos, tudo o que está a volta
some, desaparece, você flutua, vai ao nirvana...
- Ih! Esse negócio
de nirvana vou te contar. Está bem, essa também conhecemos muito bem, né.
Estamos curiosos pela Quântica e, posso imaginar que nós, os dedos, não tivemos
participação...
- Pensando bem, creio que não.
- Então devemos
ficar quietos, mesmo, droga!
- Até que enfim caiu
a ficha.
- Bobo.
- Antes de continuar
quero pedir algo.
- O que?
- Não levem muito a
sério minhas palavras.
- Porque?
- Porque nem mesmo eu
tenho tanta certeza do que aconteceu.
- Ok, vamos ouvir
sem questionamento.
- Então, até chegar
ao espaço Nis foi cruelmente normal, não ocorreu nada.
- Cruelmente!?
- Por favor, posso
usar a licença poética?
- Claro, claro.
- Obrigado. Chegando,
cumprimentei o pessoal, subi, troquei umas palavras com o Marco...
- Trocou palavras? Palavras
se veste? Gostaríamos de saber com que palavras estava vestido...
- Já mencionei que
vocês são bestas?
- E nós já respondemos:
somos parte de você.
- Bem em seguida a
nossa querida e meiga Mariane deu início ao espetáculo. Como sempre ocorre,
João Cássio, mestre iluminado, se posicionou para a meditação. Nesse momento é
que senti, não sei se estranho, só sei que entrei num estado de transe ou tenha
mesmo caído num pequeno cochilo, pois não lembro, quando percebi a mestra
Adriana já estava nos ensinamentos do livro Mente in-formada e, a partir daí
uma impaciência me dominou. Esticava as pernas, dobrava a direita, a esquerda,
uma formicação queimava a perna de cima a baixo, não conseguia ficar acomodado
de jeito nenhum. A boca seca pedia água, pensei quinhentas mil vezes em tomar e
desisti quinhentas mil vezes, não ia atravessar toda a sala, atrapalhar a
Adriana, olhei outras quinhentas mil para o relógio, jogava o corpo para um
lado e para o outro, foi um sufoco. No depoimento do Alexandre – espero que
seja esse o nome, e me desculpe se não for – parece que a impaciência tinha me
deixado, consegui ouvir um pouco. Desci para o intervalo do café com a
convicção de que melhoria. Pensei, vou tomar o famoso chá da Nani e espantar o
mal-estar. Mas, desculpe Nani o chá não me conquistou, estava saboroso, talvez
por não gostar ou por não ter o costume de tomar chá, mesmo assim tomei dois
copos. Quando André Santos começou a palestra sobre Prosperidade o poder do
observador, fiquei abismado com sua magreza que parecia transmitir fragilidade
onde pude notar o meu engano, com voz firme transmitiu muito bem a palestra da
qual puder absorver o final. Sim, o final, não sei o do porquê, não lembro o
início e nem o meio, apenas o final quando a amiga da Nani estava dando o seu
depoimento, – desculpe ainda não guardei o teu nome - isto é, parece que
acordei naquele instante e mesmo assim, pouco entendi ou ouvi o que ela dizia. Senti-me
horrível, a sensação que tinha que não devia estar ali, e sim, em outro lugar,
bateu uma angustia, uma ansiedade, que só melhorou com o sapateado do Marcelo
que, com desenvoltura e arte mostrou toda a beleza do sapateado dando comichão
nos pés da gente.
- Só isso?
- Sim.
- Amnesia Quântica?
- Sim.
- Conta outra meu.
Você dormiu mesmo essa é que é a verdade.
- Não... Sim...
- Você tem é uma
criatividade muito boa.
- Obrigado.
- Amnesia Quântica
vamos acreditar para não perder a amizade.
- Não acreditam
mesmo...
- Cê dormiu isso
sim.
- Será?!
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