Piquenique Quântico.
Bem, no que estou pensando? No último domingo. É no último domingo onde fiz algo que se fosse trinta ou vinte anos atrás não teria feito. Não teria ido num encontro sem conhecer ninguém. Sim, é verdade. Por acanhamento, por timidez, por pensar: como farei para chegar lá, num lugar pouco conhecido por mim, como me postarei diante de pessoas que apenas “vi” virtualmente, como direi, como agirei, o que responderei se me perguntarem algo, enfim todas essas babaquices que passa na cabeça de um acanhado. Acho que vocês conhecem muitas pessoas desse tipo. Mas isso seria vinte ou trinta anos atrás. Não vou mentir que hoje esses pensamentos passam pela minha mente, passam sim, mas com uma frequência pequena, que consigo controlar ou enfrentar.
Pois bem, domingo, calculando a hora, passei no supermercado – outro problema: o que comprar, o que levar, já que não foi especificado o que se deveria levar, o falado foi: bebida e lanche. Que bebida, que lanche, e isso foi questionando até o momento final que teria que comprar. Bem, resolvido essa questão, foi pegar o ônibus, descer na estação do metrô Penha, descer na estação República, “pegar” a linha amarela, descer na estação Consolação que fica na Avenida Paulista, e “pegar” a linha verde e descer na estação Brigadeiro. Pronto. Uma etapa cumprida.
Agora vinha a segunda etapa que foi pegar um ônibus que desceria a Rua Brigadeiro até o Parque Ibirapuera. Aí foi moleza, porque todos os ônibus que descem a Brigadeiro passam pelo Parque, mas assim mesmo logo que passei a catraca, perguntei ao cobrador se o ônibus passava por algum portão do Ibirapuera. Por sorte passava pelo portão nove. Desci no ponto indicado, atravessei a rua, e entrei pelo portão nove. Outra etapa vencida.
A terceira etapa: onde é que estaria o pessoal? Onde acharia o Pavilhão Japonês? Perto de mim, ia uma senhora com um adolescente que, a todo momento tentava fazer uma ligação. Procurei andar ao seu lado pensando: vai que ela está indo para o piquenique e está tentando ligar para alguém se orientando. No fim acabei perdendo a senhora e adolescente ao focar no meu pensamento. Aí lembrei que a Tais – pessoal desculpe se trocar os nomes – então, lembrei que a Tais tinha mandado uma mensagem de que já estava no parque e, liguei para ela.
- Alô.
- Alô.
- Quem fala?
- É o Osvaldo.
- Osvaldo?
- É o Osvaldo Pastorelli, do grupo quântico, Piquenique Quântico.
- Ah, sim, Osvaldo.
- Então como faço para chegar onde está o pessoal?
- Onde você está?
- Onde estou? Bem... não sei... acabei de entrar no parque pelo Portão Nove.
- Olha não sei, só sei que é perto do Pavilhão Japonês.
- Ah! É mesmo, Pavilhão Japonês.
- Então é lá perto.
- Ok. Obrigado.
Desligamos. Aí tentando me desviar de um e de outro, de bicicletas, de corredores, perguntei para uma simpática vendedora com seu carrinho apinhado de mercadorias de todo tipo.
- Por favor?
- Sim.
- Pode me dizer onde é o pavilhão Japonês?
- Claro. É só seguir aqui em frente, vire à esquerda e está vendo aquelas placas verdes?
- Sim.
- Vire à direita que é ali.
- Legal. Obrigado.
E seguindo a orientação dada, cheguei perto das placas verdes. Já ia perguntar de novo, quando vi numa placa escrito: Pavilhão Japonês com a seta indicando a localização. Bom e agora? Onde está o pessoal? Onde tinha um grupinho chegava perto para verificar se eram os quânticos. Pensei: do pessoal o que conheço melhor é o João, por ter visto uns vídeos que ele postou na internet. Chegava, olhava, não via ninguém de cabelo preto preso num coque, me afastava. Alguns me encaravam com um olhar de quem disse: o que você quer aqui abelhudo. Dei várias voltas pelo pavilhão, na segunda volta, achei o banheiro.
- Ufa!
Tirei a água do joelho, e sai a procura. Fiquei um bom tempo em frente ao Planetário. Aí recebi uma mensagem, acho que a Tais, pedindo uma foto de onde eu estava. Fotografei a frente do Planetário e mandei. Foi então que pensei:
- Quer saber de uma coisa,voui soltar, não é isso que o Hélio fala, vou soltar, se não achar ninguém dou mais umas voltas e vou embora.
E assim, preparado para as minhas voltas eis que escuto:
- Osvaldo.
Olhei para traz e quem vejo? A Adriana, com sacos de pão e uma garrafa de suco.
- Me ajuda aqui.
- Claro, disse pegando a garrafa.
- Estamos ali, atrás do banheiro azul.
E foi aquela maravilha de energia ao encontrar todos vocês, e, não preciso, descrever como magnifico foi o piquenique, as conversas, o pessoal, foi como se já nós conhecêssemos a tempo. Grato a todos pelo belo domingo que passei junto a vocês.
Terminando, quando me despedi de todos e estava contornando o lago, senti uma dor no pescoço que se estendia pelo ombro. Não era uma dor incomoda, mas uma dor suave, e estranhei por que não fiz nenhum esforço que pudesse provocar a dor. Poderia ter sentido dor nas pernas e por estar sentado no chão, coisa que pouco faço. Fiquei com essa dor até chegar em casa.
Bem é isso, gratos a todos, tenham imensa luz iluminando o caminho de todos.
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