terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Páscoa.

              
Perdão disse uma vez, duas vezes, quatro vezes... parou. Que absurdo, disse mentalmente, no entanto algo confirmava que estava no caminho certo. Mas, foi então que perguntou:
- Por que?
- Por que o que, respondeu o subconsciente.
- De tudo isso. Proferir infindáveis de vezes laboriosamente a mesma palavra. Isso é burrice.
- Por que burrice?
- Porque é, oras bola.
Perdão dizia todas as coisa, perdão berrava as paredes, os móveis, o uísque no copo cheio de ar, ouvia por todos os cantos da mente, perdão, perdão...
Subiu no parapeito da janela e gritou:
- Perdão, meu pai, perdão. Eles não sabem o que fazem.
E se jogou no espaço silencioso onde as lágrimas não tinham vez.

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