Oito precisamente. Estavam
esparramados numa docilidade impaciente de quem não quer nada e ao mesmo tempo
deseja o nada que tem. Os olhos são a
janela da alma, disse alguém filosoficamente sem pensar no significado das
palavras. Olhos que olham e guardam segredos. Langorosos na docilidade dos
desejos passeiam no corpo farto ao penetrar na carne fraca. Precisamente oito
olhos se estendiam esparramados no papel branco da alma. Ansiava em sentir as
atrocidades, as maquinações, os segredos, os anseios, os devaneios e
perversidades em seus líquidos falsos ou verdadeiros. Não conseguia evitar de
olhá-los, pois sendo criações suas, via nos contornos, nos tracejados, nos
pontos cada significado que, a sua revelia, colocado à mostra, pudesse ser
revelado. Sabia que não precisaria alimentar o medo, apesar de captar cada
nuança com precisão quase orgânica, seus segredos estavam escondidos. Será que
estavam mesmo? Perguntou aos silenciosos olhares que, mudos, não lhe
responderam. Num gesto impensado teve a ousadia satânica em destruir os oito
olhos. No entanto a languidez, como ferro em brasa, o obrigou a não cometer tal
ato, e, assim os olhos permaneceram fixos no oco da árvore humana.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
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