quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Os olhos.


Oito precisamente. Estavam esparramados numa docilidade impaciente de quem não quer nada e ao mesmo tempo deseja o nada que tem.  Os olhos são a janela da alma, disse alguém filosoficamente sem pensar no significado das palavras. Olhos que olham e guardam segredos. Langorosos na docilidade dos desejos passeiam no corpo farto ao penetrar na carne fraca. Precisamente oito olhos se estendiam esparramados no papel branco da alma. Ansiava em sentir as atrocidades, as maquinações, os segredos, os anseios, os devaneios e perversidades em seus líquidos falsos ou verdadeiros. Não conseguia evitar de olhá-los, pois sendo criações suas, via nos contornos, nos tracejados, nos pontos cada significado que, a sua revelia, colocado à mostra, pudesse ser revelado. Sabia que não precisaria alimentar o medo, apesar de captar cada nuança com precisão quase orgânica, seus segredos estavam escondidos. Será que estavam mesmo? Perguntou aos silenciosos olhares que, mudos, não lhe responderam. Num gesto impensado teve a ousadia satânica em destruir os oito olhos. No entanto a languidez, como ferro em brasa, o obrigou a não cometer tal ato, e, assim os olhos permaneceram fixos no oco da árvore humana.         

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