Desenfreado
isso é o que eu sou. Escrevo desenfreado onde o nada me acontecera se não
conciliar as ações numa orgia de sentimentos insanos. O inverno congela as
direções do corpo pouco se importando se isso ou aquilo possa me suceder. O
fone preto permanece suspenso em minha mão. Indeciso descubro que não
tenho coragem para ouvir a voz de barítono no lamentoso chororô. O frio lança o
silêncio como faca cortando as postas de carne. Repouso os dedos no vidro da
mesa ao lado da esferográfica. Não preciso de muito para ser feliz. A manhã
ensolarada muda o ambiente. Whisky, é de Whisky que me sirvo em plena amanhã
bonita de luz. No armário da cozinha o vazio alimenta a fome, na geladeira o
frio congela os espaços sem se importar se estou faminto ou não. Preciso
eliminar a palavra preciso só assim conseguirei a precisão dos loucos momentos.
Sou feliz com pouco. Como a vida é uma espera disso ou daquilo, perco sempre o
instante em que posso agarrar o pulo do gato. Será que ter a companhia de um
felino me faria bem? Não sou titia solitária ou estou me tornando uma?!
domingo, 29 de março de 2020
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