Enquanto procuramos a cura um do
outro esquecemo-nos debaixo dos lençóis. E nas esquinas sujas de humanidade há
sempre o desejo de caminhar. Mas para onde? Não me reconheço sou um estranho
entre estranhos nesse amontoado de corpos vagando meramente. Entro no primeiro
bar que me aparece. Peço uma cerveja. Despejo o líquido amarelo num copo mais
amarelo ainda. Procuro devolver a cerveja, mas me vejo tomando mecanicamente um
longo trago. A bebida queima mais que pinga destilada. Arroto. Olhares
reprovadores cai em cima de mim. Sussurro um desculpe apagado e os olhares
voltam aos seus afazeres. Bebo até o último gole e recuso outra cerveja que o
garçom me oferece. Tenho que caminhar e para que, pergunto? Caminho porque é
necessário chegar em algum lugar. E realmente, para meu desagrado chego. Olho a
porta do apartamento indeciso que, tão logo abro a porta, sinto o cheiro de
mofo e azedo. Meio ano fora foi suficiente para causar esse pequeno estrago.
Espirro diversas vezes. Da sala vou direto ao banheiro e debaixo do chuveiro deixo
a água gelar meu corpo estéril enquanto cabelo, camisa, calça, cueca, sapato
ficam ensopados. Quero que a água limpa a impureza dele encrustado em mim, como
se eu fosse o puro. Depois tiro a roupa e me jogo na cama. Fito o teto enquanto
a mente entra no processo de esvaziamento. Levanto-me e na cozinha pego da
geladeira uma lata de cerveja. Você quando fala que não pertence ao mesmo lugar
que eu, está apenas afirmando um amor conquistado. Me diz olhando no fundo do
copo de cerveja. Não tem coragem de enfrentar os meus. Assim como eu, está nu
encostado a pia da cozinha. Talvez seja verdade. Acontece que essa é a verdade
dele e não a minha. Sim nosso amor foi algo conquistado. E, no entanto, não há
a necessidade em repudiar a todo momento. Não retruco. Saio da cozinha e de
repente vejo nossos corpos nos lençóis branco cinzento. Tenho pavor dos seus gemidos
e das obscenas palavras. Fazemos mecanicamente amor sem emoção e luxúria, pelo
menos da minha parte. Nossos olhares se encontram e o sangue começa escorrer
dos seus olhos. Aterrorizado acordo todo melecado. A noite cai sobre mim e me
cubro para proteger-me do frio.
terça-feira, 31 de março de 2020
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