quarta-feira, 22 de abril de 2020

Contos surrealistas 152


Gruta do Carimbado

Estavam na entrada da gruta. Rodrigo olhou para Genivaldo que, sem dizer nada, sorriu para Eduardo, e Eduardo devolveu o olhar para Rodrigo dizendo:
- Vamos.
Assim os três acenderam as lanternas, passaram pela faixa com os dizeres:
- Proibida a entrada.
No momento em que  transpuseram o limite de entrada, tinham a noção de que não voltariam e não desistiriam, apesar da funesta lenda que a gruta possuía. Todos que se propuseram a explora-la se perderam ou morreram, pois ela era infinita é o que diziam. Os três tomaram a decisão, depois de ouvirem o noticiário noturno dizendo que o governo decidira fechar a entrada para que ninguém mais tentasse explora-la.
- Quem sabe a gente consiga descobrir o mistério dos desaparecimentos, disse Rodrigo.
- Podemos ficar famosos, retrucou Eduardo.
- Aparecermos na televisão, respondeu Genivaldo.
- Ou provavelmente morremos, falou Eduardo.
Rodrigo e Genivaldo lançaram um olhar de desagrado e Genivaldo dando um tapa na cabeça de Eduardo disse:
- Vamos e deixe de falar besteira.
A princípio não precisava das lanternas, a claridade que entrava iluminava, mas ao se aprofundarem a escuridão tomou conta. Caminhando um atrás do outro, os três iam com cautela.
- Pisem onde eu piso, disse Rodrigo.
Perceberam que a gruta se afunilava mal conseguindo passar um por vez. Nisso ouviram um:
- Cuidado.
E Rodrigo e lanterna sumiram na escuridão. Genivaldo e Eduardo pararam. Um iluminou o rosto do outro espantado sem saber o que fazer. Genivaldo direcionou a lanterna para baixo e viram um declive metálico. Iluminaram novamente o rosto um do outro. A pergunta que surgiu no olhar deles foi:
- O que faremos?
Genivaldo olhou para o declive para Eduardo.
E se deixaram escorregar. Segundos depois caiam numa sala toda iluminada com uma mesa bem no centro. Em cima da mesa tinha uma campainha com uma tabuleta dizendo:
- Toque a campainha para ser atendido.
Eduardo tocou a campainha e a sala se transformou aprisionando os dois dentro de uma enorme bola ao mesmo tempo em que uma fumaça escura fez com os dois desmaiassem.
Genivaldo abriu os olhos. Estava num enorme compartimento com grandes tubos de vidros. Dentro de cada tubo tinha uma pessoa. A sua frente estava Eduardo e ao lado dele, estava Rodrigo. Pareciam desmaiados. Tentou gritar, não conseguia não saia som nenhum da garganta, a massa gelatinosa que o envolvia não deixava se mover. Nisso a porta se abriu e por ela passou um gigante. Ele se ajoelhou, abriu um dos tubos e tirou de dentro um homem. Horrorizado Genivaldo viu que era Rodrigo. De repente um som estridente se fez ouvir e tudo começou a girar.
No dia seguinte os noticiários proclamavam a noticia de um terremoto de pequenas proporções, pois não houve estrago nenhum na cidade, apenas a gruta conhecida como a Gruta do Carimbado sofrera desabamento ficando em seu lugar um enorme buraco circular parecendo que ali estivera um disco voador e o desaparecimento de três crianças.

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