Gruta do Carimbado
Estavam na entrada da gruta. Rodrigo olhou para
Genivaldo que, sem dizer nada, sorriu para Eduardo, e Eduardo devolveu o olhar
para Rodrigo dizendo:
- Vamos.
Assim os três acenderam as lanternas, passaram pela
faixa com os dizeres:
- Proibida a entrada.
No momento em que
transpuseram o limite de entrada, tinham a noção de que não voltariam e
não desistiriam, apesar da funesta lenda que a gruta possuía. Todos que se
propuseram a explora-la se perderam ou morreram, pois ela era infinita é o que
diziam. Os três tomaram a decisão, depois de ouvirem o noticiário noturno dizendo
que o governo decidira fechar a entrada para que ninguém mais tentasse explora-la.
- Quem sabe a gente consiga descobrir o mistério dos
desaparecimentos, disse Rodrigo.
- Podemos ficar famosos, retrucou Eduardo.
- Aparecermos na televisão, respondeu Genivaldo.
- Ou provavelmente morremos, falou Eduardo.
Rodrigo e Genivaldo lançaram um olhar de desagrado e Genivaldo
dando um tapa na cabeça de Eduardo disse:
- Vamos e deixe de falar besteira.
A princípio não precisava das lanternas, a claridade
que entrava iluminava, mas ao se aprofundarem a escuridão tomou conta. Caminhando
um atrás do outro, os três iam com cautela.
- Pisem onde eu piso, disse Rodrigo.
Perceberam que a gruta se afunilava mal conseguindo
passar um por vez. Nisso ouviram um:
- Cuidado.
E Rodrigo e lanterna sumiram na escuridão. Genivaldo e
Eduardo pararam. Um iluminou o rosto do outro espantado sem saber o que fazer.
Genivaldo direcionou a lanterna para baixo e viram um declive metálico.
Iluminaram novamente o rosto um do outro. A pergunta que surgiu no olhar deles
foi:
- O que faremos?
Genivaldo olhou para o declive para Eduardo.
E se deixaram escorregar. Segundos depois caiam numa
sala toda iluminada com uma mesa bem no centro. Em cima da mesa tinha uma
campainha com uma tabuleta dizendo:
- Toque a campainha para ser atendido.
Eduardo tocou a campainha e a sala se transformou aprisionando
os dois dentro de uma enorme bola ao mesmo tempo em que uma fumaça escura fez
com os dois desmaiassem.
Genivaldo abriu os olhos. Estava num enorme
compartimento com grandes tubos de vidros. Dentro de cada tubo tinha uma
pessoa. A sua frente estava Eduardo e ao lado dele, estava Rodrigo. Pareciam
desmaiados. Tentou gritar, não conseguia não saia som nenhum da garganta, a
massa gelatinosa que o envolvia não deixava se mover. Nisso a porta se abriu e
por ela passou um gigante. Ele se ajoelhou, abriu um dos tubos e tirou de dentro
um homem. Horrorizado Genivaldo viu que era Rodrigo. De repente um som
estridente se fez ouvir e tudo começou a girar.
No dia seguinte os noticiários proclamavam a noticia
de um terremoto de pequenas proporções, pois não houve estrago nenhum na
cidade, apenas a gruta conhecida como a Gruta do Carimbado sofrera desabamento
ficando em seu lugar um enorme buraco circular parecendo que ali estivera um
disco voador e o desaparecimento de três crianças.
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