segunda-feira, 6 de abril de 2020

Contos surrealistas 167


A batalha.


Transtornado via aquilo como afronta. Não podia acreditar! Estava comprovado que sua vontade era um zero a esquerda. Droga! Merda! O desejo era sumir, enfiar a cabeça num buraco. Caralho não podia ficar no quarto sem que o incomodassem? Não, a prova estava naquelas caras de babacas tentando o surpreender! Será que sabiam que não há mais nada que o surpreendesse?
Esse ano eles iriam ter uma surpresa. Da gaveta do guarda-roupa tirou a arma. Apontou primeiramente para o bolo. Foi glacê e vela que espirrou para todos os lados. Depois mirou na testa da mulher. Ela gritou. Em seguida mirou nas noras atrás da velha. Um tiro para cada uma. Os babacas dos filhos fugiram com medo. Bando de covardes. Pena que não pode acertar mais ninguém, mas quem colocava a cara na porta era tiro certeiro, não errava um. Os quatros netos pulavam gritando alegremente no meio do quarto cheio de doces enlameados. Até que a arma ficou sem munição.
Sentado na cadeira de balanço, depois da bagunça toda, os netos vieram se despedir do avô. Sob o olhar reprovador da avó um a um beijaram o velho dizendo:
- Vô, gostei do seu aniversário.
Sorriu satisfeito. Até que foi legal, mas para o ano que vem arrumaria uma metralhadora.


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