A
batalha.
Transtornado
via aquilo como afronta. Não podia acreditar! Estava comprovado que sua vontade
era um zero a esquerda. Droga! Merda! O desejo era sumir, enfiar a cabeça num
buraco. Caralho não podia ficar no quarto sem que o incomodassem? Não, a prova
estava naquelas caras de babacas tentando o surpreender! Será que sabiam que não
há mais nada que o surpreendesse?
Esse
ano eles iriam ter uma surpresa. Da gaveta do guarda-roupa tirou a arma.
Apontou primeiramente para o bolo. Foi glacê e vela que espirrou para todos os
lados. Depois mirou na testa da mulher. Ela gritou. Em seguida mirou nas noras
atrás da velha. Um tiro para cada uma. Os babacas dos filhos fugiram com medo.
Bando de covardes. Pena que não pode acertar mais ninguém, mas quem colocava a
cara na porta era tiro certeiro, não errava um. Os quatros netos pulavam
gritando alegremente no meio do quarto cheio de doces enlameados. Até que a
arma ficou sem munição.
Sentado
na cadeira de balanço, depois da bagunça toda, os netos vieram se despedir do
avô. Sob o olhar reprovador da avó um a um beijaram o velho dizendo:
-
Vô, gostei do seu aniversário.
Sorriu
satisfeito. Até que foi legal, mas para o ano que vem arrumaria uma
metralhadora.
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