O
ato.
As
coisas acontecem porque tem que acontecer ou desejamos que aconteçam, e quando
damos conta somos levados pelo emocional. Como se dizia foi o diabo e, ali
representado por aquela mão macia, que segurava com delicadeza, mas firme mostrando
o quanto de prazeroso estava sendo e determinado a ir até o fim, só podia ser o
diabo mesmo. No entanto, não se sobressaltou, não fez nenhum gesto de repulsa
ou alguma tentativa em retirar a mão macia e ousada, como tudo o que é perigoso
nos atrai, queria ver no que aquilo daria. Lentamente num ritmo adequado, a mão
subia e descia fazendo com que expressasse o prazer em gemidos, ora
prolongados, ora em curtos grunhidos monossilábicos. Nunca imaginou um dia
passar por essa experiência. Percebia que estava caindo numa armadilha
perigosa, e como todo e qualquer perigo e, mais ainda se for uma armadilha era
convidativo a se aventurar. E aventureiro se entregava sem ao menos pensar ou
avaliar as consequências. Na concepção viril que o seu corpo forte, alto, não
muito musculoso demonstrava, reconhecia-se nunca ter apreciado uma experiência
tão prazerosa como estava tendo. E porque se entregava a ela? Curiosidade?
Talvez. Tédio? Talvez. Procura de aventura? Talvez. Não tinha uma resposta,
quer dizer, tinha sim uma resposta, apenas não queria acreditar, ou melhor,
dizendo, não queria aceitar. Percebia um desligamento de tudo, da vida, dos
problemas, do mundo, parecia que estava em outra esfera, que se pudesse
prolongaria o ato tanto quanto fosse possível. Será que o que pensava sobre ele
não é o que pensava que fosse? O que acreditava era errado? Quer dizer não
errado, mas para ele era. Poderia alguém entender o que não entendia? Não devia
se preocupar não nesse momento, quem sabe mais tarde, no dia seguinte. O que a
razão e a emoção lhe dizia é que deveria aproveitar e curtir os instantes. E
era o que fazia. O futuro era incógnito a ser desvendado. Não podemos resolver
os problemas antecipadamente. E assim se entregou ao prazer, relaxou os
músculos, se entregou àquela mão que era um diabo.
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