Calma.
Tudo
nessa vida tem a primeira vez, era o que lhe dizia a filosofa da sua mãe, que
Deus a tenha. Angustiado por ser exposto a um vexame, ou talvez, a um ato forçado
que revelava todo o seu acanhamento, não sabia como agir, apesar de ter ouvido:
— Não se preocupe. Não
precisa fazer nada. Tudo bem?
Gaguejando
respondeu timidamente:
—Tu... Tudo bem...
Suava,
tremia, não sabia onde depositar o olhar. Cabisbaixo apenas esperava que ela
lhe dissesse o que fazer. E ao ouvir:
—Tire a roupa.
O
coração disparou, a face vermelha queimava a pele branca. Titubou indeciso sem
saber se virava as costas ou não ao começar lentamente a desabotoar a camisa.
—
Não
precisa ter pressa, vamos com calma, tudo bem, temos bastante tempo.
—Si... Sim... Co...
Calma, respondeu envergonhado.
Com
calma! Como se desde que chegara só ouvia isso: “Com calma” aqui “Com calma”
ali, calma, calma, droga!
Completamente
nu recuou a aproximação dela.
—
Vista isso
com a abertura para trás e amarre dando um laço. Depois se deite na maca.
Fez
o que a enfermeira mandou e ouviu a voz do anestesista:
— Estique o braço. Não
se preocupe, é a sua primeira operação. Vou te aplicar uma injeção e você vai
dormir...
Não
ouviu mais nada.
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