sexta-feira, 3 de abril de 2020

Contos surrealistas 170


Três tiros.


Então você não acredita?
Ronaldo alisava a cabeleira loira deitada em seu peito sentindo a mão acariciando os contornos dos mamilos. Estava bom tempo entregue a leseira depois do sexo.
Não é bem não acreditar.
É o que então?
Rege como gostava de ser chamado, ergueu a cabeça fitando os olhos azuis e respondeu:
Não sei como te explicar. Com esse corpão de moleque me diz que tem sessenta anos, me conta outra cara.
Realmente, Ronaldo com seus sessenta e poucos anos não poderia ser chamado de coroa. Possuía um corpo de fazer inveja a qualquer rapaz. Mas naquele momento não era isso o que o preocupava, por isso erguendo a cabeça e depositando um beijo nos lábios de Rege, perguntou:
Afinal vamos ou não vamos à festa da Dona da Casa?
Rege contraiu os lábios num sorriso que mais parecia um esgar zombeteiro.
Tá a fim de ir à festa dessa mequetrefe de merda?
Estou. Você não?
Você viu o que aconteceu da última vez...
Sim, foi uma confusão que ninguém entendeu nada.
Foi reboliço dos infernos.
Fiquei curioso com uma coisa?
O que?
Quem era a pessoa que saiu correndo do quarto de Dona.
Rege desviou o olhar.
Também gostaria de saber, disse num tom de voz como se estivesse dizendo para ele mesmo.

Já estavam na festa há mais de uma hora quando Ronaldo procurando Rege subiu as escadas e abriu a porta do quarto. O que viu o deixou estarrecido. Dona e Rege estavam nos abraços e beijos na maior intimidade. No momento em que foi dizer alguma coisa, sentiu-se empurrado batendo com as costas na porta por um cara empunhando uma arma que atirou em Rege bem na testa, em seguida em Dona que caíram sem terem percebido o que estava acontecendo, depois virou a arma para a boca e puxou o gatilho.

Dois meses depois, Ronaldo falecia de câncer solitário numa cama de hospital.

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