Três
tiros.
— Então você não
acredita?
Ronaldo
alisava a cabeleira loira deitada em seu peito sentindo a mão acariciando os
contornos dos mamilos. Estava bom tempo entregue a leseira depois do sexo.
— Não é bem não
acreditar.
—
É o que
então?
Rege
como gostava de ser chamado, ergueu a cabeça fitando os olhos azuis e
respondeu:
—
Não sei
como te explicar. Com esse corpão de moleque me diz que tem sessenta anos, me
conta outra cara.
Realmente,
Ronaldo com seus sessenta e poucos anos não poderia ser chamado de coroa.
Possuía um corpo de fazer inveja a qualquer rapaz. Mas naquele momento não era
isso o que o preocupava, por isso erguendo a cabeça e depositando um beijo nos
lábios de Rege, perguntou:
—
Afinal
vamos ou não vamos à festa da Dona da Casa?
Rege
contraiu os lábios num sorriso que mais parecia um esgar zombeteiro.
—Tá a fim de ir à festa
dessa mequetrefe de merda?
—
Estou.
Você não?
— Você viu o que
aconteceu da última vez...
—
Sim, foi
uma confusão que ninguém entendeu nada.
— Foi reboliço dos
infernos.
— Fiquei curioso com uma
coisa?
— O que?
— Quem era a pessoa que
saiu correndo do quarto de Dona.
Rege
desviou o olhar.
— Também gostaria de
saber, disse num tom de voz como se estivesse dizendo para ele mesmo.
Já
estavam na festa há mais de uma hora quando Ronaldo procurando Rege subiu as
escadas e abriu a porta do quarto. O que viu o deixou estarrecido. Dona e Rege
estavam nos abraços e beijos na maior intimidade. No momento em que foi dizer
alguma coisa, sentiu-se empurrado batendo com as costas na porta por um cara
empunhando uma arma que atirou em Rege bem na testa, em seguida em Dona que
caíram sem terem percebido o que estava acontecendo, depois virou a arma para a
boca e puxou o gatilho.
Dois
meses depois, Ronaldo falecia de câncer solitário numa cama de hospital.
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