quinta-feira, 9 de julho de 2020

Contos surrealistas 132


Domingo: alegria e descanso.

Paulo observava a lagartixa subindo a parede. Diante do fato, decepcionado, meio surpreso, até sentiu-se lesado ao ver o pequeno sáurio, da subordem dos lacertílios, deixar o pequeno inseto fugir. Com o graveto deu uma cutucada fazendo a lagartixa cair ao chão. Pensou em esmagar o pequeno sáurio com uma pedra ou pisar nela, mas desistiu e, com o graveto cortou a cauda que ficou pulando, enquanto que a lagartixa correu para baixo do monturo não dando tempo de Paulo caçá-la. Com raiva, jogou o graveto longe.
Nisso ouviu a mãe gritar, parada a porta da cozinha.
- Lagartixa, vá lavar as mãos e venha almoçar.
Rilhou os dentes engolindo o palavrão que ameaçava explodir em direção à progenitora, mulher determinada e que não aceitava ofensa que fosse e, muito menos dos filhos. Por isso, Paulo passou por ela de cabeça baixa entrando em casa amaldiçoando quem colocou o apelido nele.
Ao sair do banheiro jurou que seria a última vez que seria chamado pelo apelido quando ouviu:
- Lagartixa, pega a garrafa de Coca-Cola e vá até o Armazém do seu Zé comprar pinga. E anda logo moleque, gritou o pai dando-lhe um cascudo ao passar por ele.
Na volta, ao sentar-se à mesa e entregar a garrafa cheia de pinga ao pai, tinha em mente todo o plano de vingança. Contrariando a mãe que o atazanava em comer logo, Paulo demorou o mais que pode a mesa na esperança de que o pai fosse deitar como fazia todos os domingos.
Assim que viu o velho dormindo, entrou no quarto, aproximou-se pé ante pé, no maior silêncio possível e acendeu o fósforo.

Agora, todos os dias, visita no hospital, o pai internado na ala dos pacientes queimados por fogo onde, com compaixão ouve os queixumes da mãe:
- Também com essa mania de dormir fumando é o que dá, queimou colchão e seu pai, por isso meu filho não fume nunca...

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