Domingo: alegria e descanso.
Paulo observava a lagartixa subindo a parede. Diante
do fato, decepcionado, meio surpreso, até sentiu-se lesado ao ver o pequeno
sáurio, da subordem dos lacertílios, deixar o pequeno inseto fugir. Com o
graveto deu uma cutucada fazendo a lagartixa cair ao chão. Pensou em esmagar o
pequeno sáurio com uma pedra ou pisar nela, mas desistiu e, com o graveto
cortou a cauda que ficou pulando, enquanto que a lagartixa correu para baixo do
monturo não dando tempo de Paulo caçá-la. Com raiva, jogou o graveto longe.
Nisso ouviu a mãe gritar, parada a porta da cozinha.
- Lagartixa, vá lavar as mãos e venha almoçar.
Rilhou os dentes engolindo o palavrão que ameaçava
explodir em direção à progenitora, mulher determinada e que não aceitava ofensa
que fosse e, muito menos dos filhos. Por isso, Paulo passou por ela de cabeça
baixa entrando em casa amaldiçoando quem colocou o apelido nele.
Ao sair do banheiro jurou que seria a última vez que
seria chamado pelo apelido quando ouviu:
- Lagartixa, pega a garrafa de Coca-Cola e vá até o
Armazém do seu Zé comprar pinga. E anda logo moleque, gritou o pai dando-lhe um
cascudo ao passar por ele.
Na volta, ao sentar-se à mesa e entregar a garrafa
cheia de pinga ao pai, tinha em mente todo o plano de vingança. Contrariando a
mãe que o atazanava em comer logo, Paulo demorou o mais que pode a mesa na
esperança de que o pai fosse deitar como fazia todos os domingos.
Assim que viu o velho dormindo, entrou no quarto, aproximou-se
pé ante pé, no maior silêncio possível e acendeu o fósforo.
Agora, todos os dias, visita no hospital, o pai
internado na ala dos pacientes queimados por fogo onde, com compaixão ouve os
queixumes da mãe:
- Também com essa mania de dormir fumando é o que
dá, queimou colchão e seu pai, por isso meu filho não fume nunca...
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