Então...
continuando... essa bola... pare, é minha barriga, não é uma bola qualquer que
você joga de um lado para o outro, chuta, esmurra, não, por favor, mais
respeito é uma volumosa ridícula de uma barriga, a minha, ok, como consegui
esse volume estrondoso, acho que no final dos anos oitenta e começo dos anos
noventa, os anos duros da minha vida, em que vivia vinte e quatro horas em
depressão, vinte e quatro horas me lamentando, sentindo pena de mim mesmo, não
conseguia ver outra coisa, nem a luz no final do túnel, me vitimava
constantemente, reclamava, xingava, odiava, me entreguei ao álcool a ponto de
todos os dias ao sair do serviço passava na lanchonete e tomava uma pinga e uma
cerveja, chegando no meu bairro parava no bar e tomava mais uma pinga e uma ou
duas cerveja, entrava em casa trançando as pernas, dançando mais que vedete do
Chacrinha, não queria ver ninguém, tomava um banho, comia alguma coisa quando
tinha e cama, e no dia seguinte a mesma coisa...
É
isso... ou, não é
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