quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.580(2020)

     

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Caro amigo para dar continuidade, precisarei mencionar duas igrejas da minha cidade natal. Creio que espantado você dirá: Igreja! O que a igreja tem com o cinema. Espera que explicarei neste dia de primavera chuvoso e meio frio. Não sei se reparou, em todas as igrejas, isso no interior, na cidade grande não, apesar que no começo poderia ter existido, em todas elas há um belo jardim a sua frente ou um quarteirão arborizado com bancos e em algumas com coreto que chamamos de Praça. Então, exatamente nessas duas igrejas que mencionarei aqui, havia praça ou jardim a sua frente. Na primeira que abordarei era o Jardim da Matriz por ter a Igreja da Matriz onde, creio que surgiu a minha cidade natal e, uns dez quarteirões depois o bairro da Boa Morte com sua igreja e seu jardim da Boa Morte, esse mais bonito que o da Matriz, porque nele havia, é havia uma bela e enorme árvore secular bem no meio, me disseram que foram obrigado a arrancar a coitada por estarem suas enormes raízes abalando as casas ao redor. Ora, deveriam era tirar as casas abaladas do que a árvore, não acha? E o que pior, hoje elas devem estar cercadas por causa de vândalos e moradores de rua. Triste, né! Mas é o preço do progresso. É nessas duas igrejas, creio, tive meu primeiro contato com o cinema, no salão da Igreja da Boa Morte vi, penso eu, muitos filmes mudos, principalmente do Gordo e o Magro, e me vem a mente senhoras rindo desbragadamente sem pudor. Na Igreja da Matriz depois da missa corríamos para o cinema que ficava perto para assistirmos a sessão Zig Zag e não perdermos o seriado que passava todas as semanas. Assistíamos a missa com o olho no relógio ou quando o padre dizia: seculorem amém, pois sabíamos que era o fim da missa. Saímos antes de todo mundo e as vezes empurrando as pessoas. O ato religioso terminava sempre as nove horas e o início da sessão era as noves, então saímos cinco minutos antes, chegávamos sempre no começo quando as cortinas do cine Teatro Variedades se abriam e os letreiros anunciava o seriado. Sentávamo-nos no primeiro banco desocupado que encontrávamos. E por quase uma hora nos desligávamos da vida real e entravamos na vida fictícia torcendo para o mocinho vencer...

            Abraço desse amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

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