sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.581(2020)

    

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Neste domingo feio, temperatura baixa, primavera, vejo que a empreitada vai ser trabalhosa, isto porque, depois desses dois lances da igreja que, penso eu, foram os meus primeiros contatos com a telona, não consigo lembrar na ordem qual foi o primeiro filme longo que tenha visto. Na minha cidade natal havia três cinemas que, creio que em todas as cidades foram engolidos pelo progresso das merdas dos shoppings, praga para alimentar os consumistas desvariados que não tem nada o que fazer. Vou tentar descrever esses três antros de diversão das molecadas do meu tempo, digo antro positivamente, entende. O Cine Teatro Variedades ficava de esquina, um prédio bonito com seus traços, não sei se barrocos ou modernos, não entendo, quer dizer não fiz uma pesquisa. A bilheteria ficava bem na esquina, pois nessa parte era arredonda, na era uma esquina com as paredes retas, acho que compreende, né, aos sábados tinha espetáculos ao vivo com apresentação de artistas de variados performances, cantores, mágicos, contorcionistas, palhaços e a rádio local apresentava os programas de calouros. Não cheguei ver nenhum, pois quando morei lá já não tinha mais esses espetáculos. Na entrada, sua porta era de vidro com desenhos rebuscados, o hall tinha balcões que se podia comprar balas, doces, pipoca e poltronas, engraçado, não lembro dos banheiros onde eram, e quando se passava a porta do hall para a sala de espetáculo era uma coisa sem explicação, imenso, as poltronas com seus estofados azuis... não lembro, mas, penso que eram de couro que ao se levantar elas se fechavam, a tela hipnótica imensa com sua cortina escura ou vermelha, sentávamos quase como se estivéssemos em frente a algo estupendo, entende, e quando soava o sinal de que o espetáculo logo começaria era um corre-corre para sentar, o silêncio imperava, primeiro era os trailers, depois vinha o tele jornal de Jean Manzzon, nessa altura a plateia começava a ficar inquieta, não queria saber nada do que se passava na alta sociedade da metrópole, mas quando a notícia era futebol... ai a zoeira era enorme, xingavam, gritavam, e no final do jornal tinha sempre alguém que gritava:

            — Até que enfim, começa logo essa merda.

            E extáticos ficávamos com os olhos grudados na tela, eram momentos mágicos.

            Abraço amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

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