Prezado
caro amigo cinéfilo
Terça
feira, feriado, frio, estamos na primavera, talvez esse ano tenhamos neve no
Natal. Não gosto de frio, quero sol. Esse meu cérebro está pensando em abordar
esse projeto pela dificuldade em trazer a tona os acontecimentos
cinematográficos de sua infância, não sei, talvez aos tropeções como foram as
anteriores, sim, foram aos tropeções pois, ao reler as duas ou três cartas anteriores
vejo quão fracas estão, e também não sei se estas chegarão aos seus olhos. No
entanto vamos continuando, os dedos precisam se exercitar assim, como o cérebro
tenho que colocá-lo em movimento, cérebro parado é sinal de pensamentos
negativos, não é. Na anterior, na carta de sete mil e quinhentos e oitenta e um
descrevi, tentei né, descrever como era o Cine Teatro Variedades, não sei se a
empreitada foi sucesso. Assisti muito filmes nesse cinema, mas o que me vem a
mente são apenas três clássicos da filmografia italiana: A Doce Vita, 8 ½ e Os
Irmãos Roccos. Evidentemente que não entendi nada do conteúdo e não estava
interessado nessas questões, somente a história que me interessava, um pouco
dos atores e atrizes pois, eram eles que levavam o público ao cinema. “Hoje vai
passar um filme com tal ator, vamos?” “Ah! com esse ator? Então o filme deve
ser bom” esses eram os comentários, para nós pouco interessava o diretor, a
fotografia, a música, coadjuvantes, e outras características, entende. E ao
passar pelos enormes cartazes de Os Irmão Roccos ficava imaginando como seria o
filme, para mim tinha a impressão de que era um filme de ação, de mafiosos, de
bandidos, pois era proibido para menores de dezoito anos, foi uma das minhas
frustrações cinematográficas. Nem sabia que era de Luchino Visconti, apenas
sabia que era estrelato pelo Alain Delon, e isso para mim significa que o filme
era bom. Só mais tarde, na febre dos DVDs pude me inteirar totalmente das
características gerais da película. Mas, nos meus dez ou doze anos apenas
queria diversão e o cinema era a minha diversão. Não sei se também, se foi
nesse cinema que vi pela primeira vez O Leopardo, com a bela Claudia Cardinale,
Burt Lancaser e outra vez, Alain Delon, só esses três nomes já dizia que o
filme era bom e, no entanto, para um pré-adolescente que nada entendeu, saiu do
cinema um pouco decepcionado. Bom é isso amigo.
Abraço
amigo cinéfilo.
É
isso ... ou, não é?
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