domingo, 27 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.596(2020)

             O rádio começa a tocar um bolero antigo. Pego a vassoura e saio dançando com ela pela sala. E de repente, você se concretiza em meus braços. A música aumenta de intensidade. Dançamos loucamente. Você ri alegre. Puxo você mais para o meu corpo. A intensidade da música agora é alucinante e, não estamos mais na sala, estamos numa boate, onde todos os casais dançam freneticamente. Aos poucos percebo que os casais estão vestidos iguais a nós e, ao olhar atentamente são mais de vinte casais iguais, todos tem a nossa cara, e o mais engraçado é que, apesar do ritmo tresloucado, ninguém esbarra em ninguém. Não há mesas, não há garçons, olho para onde está a orquestra e os músicos tem a minha cara, se parecem comigo, assustado viro o meu rosto e vejo que você não é mais você, você sou eu, isto é, estou dançando comigo mesmo. Horrorizado te empurro e saio correndo e bato o pé no pé da mesa de centro e caio. Falo um puta de um palavrão. A vassoura foi parar longe. Estou no meio da sala da minha casa, com o dedo inchado. Levanto-me, desligo o rádio, sirvo-me de uma generosa dose de uísque e, sentado na poltrona penso no que vou escrever no Diário de um sentir.

            É isso... ou, não é?

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