Cinderelo.
Escuto
um rock antigo, dos anos setenta, oitenta, mas não vejo de onde vem o som e,
por outro lado, onde estou é impossível, não tem aparelho nenhum, apenas
pessoas falando, gesticulando, bebendo, se beijando, garçons que passa de um
lado para o outro, o bar é pequeno e, então, chego à conclusão que somente eu
que escuto. Começo a sentir meus pés se movendo e logo em seguida estou no meio
do bar dançando loucamente uma música que só eu escuto. Ninguém dá bola para o
que me acontece, mas, de repente sinto um medo de altura. E me vejo querendo
descer de uma árvore e lá embaixo ao pé da jabuticabeira um menino me
incentivando a descer.
—
Vamos moleirão, desce.
E
em seguida ele começa a sacudir o galho em que estou. Grito:
—
Mãe, me ajuda.
Aparece
uma mulher de meia idade na porta da casa e brava diz:
—
Moleirão, subiu agora tem medo de descer. Desce logo medroso, se cair vai
apanhar.
Ai
que o medo aumenta, pois o cair não era nada, mas apanhar é que era o terrível.
Mudo meu pé direito, piso num galho e escuto o crack do galho quebrando e eu
caindo. Não sinto o chão, pois uns braços fortes me seguram.
—
O que foi? Pergunto assustado.
—
Você estava caindo eu te segurei.
Olho
para ele, bonito, olhos azuis, cabelo preto e liso, com um sorriso branco...
—
Que hora são?
—
Meia-noite, me responde.
—
Desculpe, preciso ir.
—
Vai virar abobora é.
—
Sim, vou.
Empurrando-o,
saio correndo, quase derrubando o garçom e ainda escuto ele dizer:
—
Cinderelo...
Desço
as escadas apressado e consigo pegar o último metrô. Sento-me no primeiro banco
e encosto a cabeça na janela e tiro uma cochilada.
É
isso... ou, não é?
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