Leitura.
Estou
perdendo o pique para a leitura, quer dizer, acho que já perdi. Não tenho mais
o afã em ler. A minha frente tem uma pilha de nove livros. Memórias de Adriano,
de Marguerite Youcenar; um volume da coleção os Pensadores da Abril Cultural,
onde há textos de Jean-Paul Sartre e de Martin Heidegger; A república, de
Platão; Decamerão, de Giovanni Boccaccio; Viagem por um mar desconhecido, de
Krishnamurti; Um reflexo na escuridão, de Philip K. Dick; A ilha do tesouro, de
Robert Louis Stevenson; 15 contos escolhidos, de Katherine Mansfield; Olhos de
azeviche, coletânea de dez escritoras negras; e Eu sou a porta, de Bhagwan
Shree Rajneesh.
Esses
são os livros que me propus a ler ou, alguns reler, mas estão aqui na mesa a
minha frente mais de um ano onde, raramente pego um e passo os olhos sobre suas
letras. Isso é normal? Vamos envelhecendo e perdemos o pique que tínhamos?
Cheguei a devorar uns dez livros por mês. Eu que gosto, ainda, de escrever
deveria manter a leitura, não acha? Tenho mais vontade de desenhar do que ler,
talvez porque o ler tenho que focar no entender e, vou confessar algo
desagradável, sou ruim para entender. Vejo não como defeito, mas por não ter
durante toda a minha vida com quem discutir, filosofar, bater um papo, posto a
mente em exercício, em desenvolvimento, entende? E hoje...
É
isso... ou, não é?
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