quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.599(2020)

                                        Caro primo Sérgio

 

                        Porra primo, quer dizer que você partiu, pegou o trem azul e nem se despediu da gente! Espero que me perdoe por não termos tido mais contato. Sabe, tenho apenas uma lembrança de você, quando trabalhava na Rua Boa Vista. Não sei por que eu você e sua irmã estávamos no escritório, o que me vem à lembrança é que almoçávamos, parece-me que vocês trabalhavam ali por perto e vinham almoçar comigo, ainda não existia os tickets restaurantes, levávamos marmitas. Foi na época dos festivais da Record quando da apresentação de Domingo no Parque e que você disse que gostava do arranjo dessa música. Sinceramente, me perdoe primo, essa é a única lembrança que tenho de você. Lembro de ter ido a sua casa, de outros momentos com seus pais, com suas irmãs, seu cunhado, mas com você não lembro. Aliás, sou imensamente grato a sua irmã por ter me arrumado os dois primeiros empregos que tive logo que cheguei do quartel.

        Hoje tenho uma outra visão a respeito da morte, talvez por ler muito, por estar estudando a Física Quântica, ouvir muito os vídeos no YouTube do Divaldo Franco, não tenho aquele medo de que muitos possam ter. Espero viver o máximo de tempo possível, apesar das muitas pedradas que levamos a vida é boa, mas o que me dá medo é deixar as pessoas que amo, deixar de existir, entende. É um processo que temos de passar, não com medo, temos que aceitar, pois poderemos ter outro corpo, outra residência. Voltaremos aqui quantas vezes necessário for até que nos iluminemos, até que nos tornemos mestres. E se nessa vida não tivemos contato que deveríamos ter, possivelmente na próxima teremos, até podemos ser irmãos, entende. Não devemos encarar a morte com temor, como perda, devemos encará-la como algo que estamos ganhando, como uma fase para o nosso crescimento. Bem, primo espero que tenha partido numa boa e que tua viagem seja a da mais confortável que possa ser. Bye e até a qualquer momento poderemos nos encontrar novamente.

            É isso... ou, não é?

 

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