Caro primo Sérgio
Porra
primo, quer dizer que você partiu, pegou o trem azul e nem se despediu da
gente! Espero que me perdoe por não termos tido mais contato. Sabe, tenho
apenas uma lembrança de você, quando trabalhava na Rua Boa Vista. Não sei por
que eu você e sua irmã estávamos no escritório, o que me vem à lembrança é que almoçávamos,
parece-me que vocês trabalhavam ali por perto e vinham almoçar comigo, ainda
não existia os tickets restaurantes, levávamos marmitas. Foi na época dos
festivais da Record quando da apresentação de Domingo no Parque e que você
disse que gostava do arranjo dessa música. Sinceramente, me perdoe primo, essa
é a única lembrança que tenho de você. Lembro de ter ido a sua casa, de outros
momentos com seus pais, com suas irmãs, seu cunhado, mas com você não lembro.
Aliás, sou imensamente grato a sua irmã por ter me arrumado os dois primeiros
empregos que tive logo que cheguei do quartel.
Hoje tenho uma outra visão a respeito
da morte, talvez por ler muito, por estar estudando a Física Quântica, ouvir
muito os vídeos no YouTube do Divaldo Franco, não tenho aquele medo de que
muitos possam ter. Espero viver o máximo de tempo possível, apesar das muitas
pedradas que levamos a vida é boa, mas o que me dá medo é deixar as pessoas que
amo, deixar de existir, entende. É um processo que temos de passar, não com
medo, temos que aceitar, pois poderemos ter outro corpo, outra residência.
Voltaremos aqui quantas vezes necessário for até que nos iluminemos, até que
nos tornemos mestres. E se nessa vida não tivemos contato que deveríamos ter,
possivelmente na próxima teremos, até podemos ser irmãos, entende. Não devemos
encarar a morte com temor, como perda, devemos encará-la como algo que estamos
ganhando, como uma fase para o nosso crescimento. Bem, primo espero que tenha
partido numa boa e que tua viagem seja a da mais confortável que possa ser. Bye
e até a qualquer momento poderemos nos encontrar novamente.
É isso... ou, não é?
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