terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.578(2020)

      

            Prezado caro amigo cinéfilo

 

            Permita-me primeiramente em chamá-lo dessa maneira? Isso cria uma intimidante mais abrangente, já que nós dois gostamos de filmes, claro, você mais que eu. E o outro motivo dessa em forma de missiva, é que antigamente fui um grande missivista, gostava de escrever longas cartas, envelopá-las, fechar, selar e enviá-las pelo correio. Era fascinante com a caneta bic, numa letra miúda preencher as vezes duas ou três folhas. Sabe que cheguei a escrever mais de dez cartas em um dia? E as correntes, com cinco nomes e endereços, você escrevia para o primeiro nome da lista, apagava e colocava o seu no fim e, com isso se esperava receber uma infindável de cartas, o mesmo se acontecia com cartões postais, coisa que fiz e nunca recebi nada. Gostava de escrever, de receber, o olhar o remetente:

            — Poxa! Que legal, até que enfim fulano respondeu.

            E sofregamente abrir a carta e deparar com a letra do remetente. Era prazeroso. Escrevíamos sobre todos os assuntos, com missivista de todos os lugares do país. E a ansiedade era tanta a espera de uma resposta, num tempo que os correios demoravam para entregar as correspondências, quase sempre extraviava uma ou outra.

            E a internet chegou e com ela veio o ICQ, Messenger, Skype, E-mails – chegava a receber mais de quinhentos por dia – Sites, Orkut, Facebook e por fim o maldito WhatsApp e com isso acabou-se o romantismo de escrever longos textos, ninguém tem mais paciência em escrever e ler conteúdos bons, positivos, hoje o que manda é a rapidez, abreviações mantando a ortografia, a gramática.

            Assim demonstrei em rápidas palavras o primeiro motivo dessa ser nesse formato como uma carta. Amanhã lhe direi o segundo motivo que espero venha me entender.

            Com abraço desse seu amigo cinéfilo.

            É isso... ou, não é?

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