Estavam deitados na cama quando B disse:
— Nossa
como sou branco.
Olhando
nos olhos do amante, A retrucou:
— Está me
chamando de negro, e?
— Não,
apenas estou comparando nossas peles e, de mais a mais, você nunca se importou
com essas coisas.
— Que
coisas?
— De
chamar você de nego, neguinho ou negão, para mim é uma forma de carinho que
tenho por você.
—
Entendo.
E
levantando-se foi até a janela abrindo-a.
— Mas
gostaria que em público não fosse tão carinhoso comigo.
— O que?
— É, não
me tratasse assim.
— Como é?
— O que
você ouviu.
— Sim,
ouvi, mas não entendi. Quer dizer que não devo tratá-lo carinhosamente em
público?
— Isso
mesmo.
— Ah!
entendi neguinho, você vai se sentir rebaixado, estarei demonstrando a
superioridade branca. É isso?
— Isso
mesmo. É que podem interpretarem erroneamente.
— Não
acredito, no que estou ouvindo C. Então vocês acham que não devo tratar quem
amo com palavras amorosas, isto é, com apelidos carinhosos?
Estavam
no bar de sempre, onde se encontravam todas as noites.
— Eu
entendo o que A está falando e ao mesmo tempo não acho justo, como ele te
disse, pode haver alguma interpretação errada e, você B, pode se dar mal.
—
Sinceramente não aceito o que estão falando.
Nisso
chega até eles um policial e indicando B diz:
— Por
favor, o senhor poderia me acompanhar?
B se
espanta e pergunta:
— Por que
devo acompanhá-lo?
O
policial polidamente diz o porquê.
— O
senhor desrespeitou este senhor – apontando para A – chamando-o de Neguinho.
— Mas
acontece, senhor policial, somos casados e se o chamo de neguinho é uma forma
de carinho.
— Sim,
até posso concordar, mas as respeitáveis pessoas que estão aqui não concordam e
acham que o senhor foi preconceituoso.
Na
delegacia. B foi obrigado a responder um questionário, assinar e se prometer a
não chamar o amante de apelidos preconceituosos.
— Se
houver reincidência o senhor poderá pegar de três a seis anos de prisão.
— Esse é
o mundo atualmente, meu amor, disse A ao saírem da delegacia.
É isso...
ou, não é?
Nenhum comentário:
Postar um comentário