Quando
acontece alguma coisa com você que o tire dos eixos normais da rotina, o que
você faz? Xinga, grita, se maldiz, o sangue ferver, fica com vontade de bater
em meio mundo, não é? Por exemplo, um acidente com o carro, apenas amassa a
lataria sem maiores consequências, você sai ileso, nem se fere, e como você
age? A mesma coisa, xinga, grita, fale impropérios, tem vontade de matar o
causador do estrago, arranca os cabelos, se lastima, não é verdade? E no caso
de você perder o celular ou achar que o roubaram. Você desce do ônibus e ao
atravessar a rua você nota que não está mais com ele, como você reagiria? Da
mesma maneira descrita acima, não é mesmo? Então, essa semana aconteceu isso
comigo. Terça feira desci do ônibus, atravessei a rua e ao colocar a mão no
bolso... tan tan tan... cadê o celular? Sumiu, escafedeu, desapareceu, voltei
na casa da minha filha, não tinha esquecido lá, andei pelos lugares que passei
e nada, me conformei, perdi ou roubaram. O engraçado é que não me lembro se ao
sair da casa da minha filha se tinha pego o celular ou não, lembro de tê-lo
tirado do bolso para ver as horas, mas não lembro se foi no ponto do ônibus ou
na casa da minha filha, entende, sabe quando você tem coma alcoólica, fica
aquele vazio que você não lembra o que fez num determinado período, então isso
o que senti, não lembro determinadas coisas entre o sair do apartamento até
descer do ônibus. Não xinguei, não lastimei, nada disso, apenas disse eu e
minha neta:
---
São Sá Longuinho, São Sá Longuinho, ajude o meu vô recuperar o celular que eu
dou os três pulinhos.
E
tenho certeza de que vou recuperá-lo.
É isso aí... ou, não é?
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