Novamente Julie.
Com os olhos fitos no horizonte, dava a impressão que
nada lhe interessava. Às vezes mudava de posição, outras fechava os olhos por
segundos para depois abrir como se estivesse vendo aquela paisagem pela
primeira vez. Aquele canto do parapeito era o seu lugar favorito. Por longos
vinte minutos, todas as manhãs permanecia ali, quieta, observando, pensando
sabe-se lá o que.
E nessa manhã, não se sabe o porquê, assim que o sol a
alcançou se esticou toda, abriu as pastas expondo as longas unhas afiadas,
eriçou os pelos, soltou um longo miado, e como morcego voador, se lançou no
espaço. Com as pernas dianteiras e traseiras abertas flanou suavemente feito
pluma ao sabor do vento.
Dentro do apartamento ouviu-se um grito e uma menina
loira, de uns dez anos mais ou menos, correu até a sacada debruçando-se no
parapeito chorando desesperada ao ver sua gata pousar graciosamente em cima do
ônibus que passava.
Dias depois, chegando do serviço, o pai lhe deu um
pacote que, afoitamente ela abriu e sorriu um sorriso longo e gostoso. Dentro
do pacote estava um filhote de gata.
- Que nome você vai dar para ela? – perguntou o pai.
- Julie – respondeu a menina.
- Novamente Julie?
- Sim, novamente Julie – disse a menina abraçando o
filhote de gata.
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