Odiava as sextas feiras! Todos tinham aonde ir, enquanto ele, perambulava pelas ruas a procura de algo que nem ele mesmo saberia dizer. Por que não acompanhar os amigos numa cervejada? Não tinha nada contra eles, somente não se sentia bem, ficava perdido, não conseguia entrar na conversa, uma vez ou outra, constrangido respondia com monossílabos, não sabia como agir, esta era a verdade. Preferia ficar sozinho. Serei gay? Perguntou-se lembrando do que lhe dissera Sam. Talvez, estivesse mais para assexuado do que para gay, foi o que respondeu ao amigo. Como saber se era isso ou aquilo? Tem necessidade em saber se é aquilo ou isso? E para que? Desprezava rótulos. Sou apenas um ser humano a procura de algo, quem sabe de si mesmo. Sim, procurava a si mesmo. E nessa procura não viu que o banco ao lado fora ocupado. Aquela noite a agitação lhe parecia maior do que os outros dias. Num local privilegiado conseguia ver toda a agitação do bar minúsculo e, no entanto, aconchegante onde se podia se movimentar, apesar da aglomeração, a vontade, desde que tivesse paciência. Nisso, sentiu um toque no braço direito. Era o rapaz que se sentara ao lado e que nem percebera. Pedia que aguardasse o local dele para ir ao banheiro. Disse um sim desatencioso. Caramba tem sempre alguém para interromper os pensamentos, disse para si mesmo. E minutos depois o rapaz voltara e nem prestou a atenção ao obrigado que ele lhe dissera. Foi então que ouviu, meu nome é Roberto, prazer e uma mão estendida para ele. Olhou o rapaz estendendo a mão e respondeu, Martim, prazer.
É
isso... ou, não é?
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