quarta-feira, 12 de maio de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.673(2021)

 

            O dia esparrama vitalidade nos movimentos desenfreados dos zumbis ensandecidos em comer os próprios cérebros. O fraco sol não aquece devidamente as moléculas da cidade. Prédios apontam para o céu suas incapacidades de sobrevivência protegendo os mortos vivos. Tudo é perdição involuntária de não ser sendo o que me leva a procura inútil do que não sei. Nos cantos escuros a caça torna-se perigosa, as vezes necessariamente mortal levando-me ao vazio da humanidade que há em mim. Não me importo da solidão, não sou depressivo da solidão, sou depressivo do amor não correspondido. E se há momentos que as lágrimas descontroladas rolam pela face é por que a fraqueza me domina e, para não deixar que ela me domine, luto e dou a volta levantando-me quantas vezes necessário for.

            É isso... ou, não é?

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