domingo, 25 de julho de 2021

Auto-ajuda.

Uma das coisas irritante na Internet é receber anexos de PPS.

Para quem não sabe, PPS é a extensão de arquivo do programa Microsoft Power Point, aquelas apresentações onde a imagem e o texto, um se sobrepondo ao outro, sem que se clique ou tecle Enter, vão surgindo na tela do monitor.

Até gosto, mas na maluquice das pessoas não fico um dia sem receber um ou dois ou até cinco por dia. Alguns são interessantes, outros se sobressaiam pelo conteúdo, à maioria vai direto para a lixeira. Esses dias recebi um que dizia:

PILATES PARA O CÉREBRO

Leia até o final, é muito interessante.

Adoro esse cara, o Pilates e, como sou seu fã e obediente li até o fim.

ESTÁ ESQUECIDO?

Como se chama este filme no qual a artista que aparece é belíssima?... Sim, homem! Alta, de cabelos negros a, que trabalhou algumas vezes com... Aquele ator maravilhoso que se chama... Que trabalhou numa peça de teatro muito famosa. Já sabe de quem falo, não?

E numa série de slides, o autor dá outros exemplos que não vou escrever aqui para que não fique maçante e vire um romance, coisa que ninguém lê nessa terra chamada Brasil.

Isto sucede por uma simples razão: falta de uso, precisamos usar mais o cérebro. É muito simples.  Assim como se atrofia um músculo sem uso, as dentritas também atrofiam se não se conectam com freqüência, e a habilidade do cérebro para receber nova informação se reduz. É certo, o exercício ajuda muito a alertar a mente; também há vitaminas e remédios que aumentam e fortalecem a memória. Entretanto, nada como fazer com que nosso cérebro fabrique seu próprio alimento: As neurotrofinas.

Essas senhoras desconhecidas produzem e secretam as células nervosas e atuam como alimento para manterem-se saudáveis. Portanto, quanto mais ativas estejam as células do cérebro, mais quantidades de neurotrofinas produzem e isto gera mais conexões entre as distintas áreas do cérebro. E o que podemos fazer? Exercício, Pilates, colocarmos o cérebro pra funcionar, deixar o coitado mais ágil, flexível, aumentar sua capacidade de memória.

Mas preguiçosos como somos pensamos:

Mas já faço uma porção de coisas: trabalho, pego condução, vou para o serviço, fico preso oito horas por dia, faço isso faço aquilo, lavo passo, cozinho, transo, cuido dos filhos, e eteceteras de outras coisas.

Acontece que isso é rotina, todos os dias fazemos as mesmas coisas, o cérebro não produz mais as senhoras neurotrofinas, porque as atividades rotineiras são inconscientes. E para que o cérebro produza as neurotrofinas, é preciso exercitá-lo. E o autor propõe uma série de exercícios:

tomar banho com os olhos fechados, sentir a textura dos objetos, do sabonete, localizar a torneira;

utilizar a mão esquerda, comer, escrever, abrir e fechar gavetas, tudo o que fizer com a direita fazer com a esquerda;

ler em voz alta;

trocar as rotas, o caminho da casa para o serviço, não almoçar no mesmo restaurante todos os dia;

fazer coisas diferentes, sair, conhecer gente nova, ir a lugares desconhecidos, subir escada ao invés do elevador;

e muitos outros exemplos de exercício.

Ao término da apresentação, esse distinto senhor, que acho de uma inteligência extrema, o senhor Pilates, me convenceu que pelo menos um dos exercícios deveria fazer.

Há um tempo, fiz um, também muito recomendado: andar pela casa de olhos fechados, fazer com que o cérebro “veja” onde estão os móveis, as paredes, as cadeiras, as portas...

Chegando um dia, vindo do serviço, resolvi por em prática tal idéia, nem acendi a luz e para reafirmar mais, fechei bem os olhos. Tudo escuro, beleza. Já estava na sala, tudo nos conformes, meu querido cérebro “via” onde estava às coisas, me indicava, vá para a esquerda, isso, agora para a direita, cuidado... E um tremendo FILHA DA PUTA soou pela casa toda, seguido de barulho de cadeira quebrando e eu estatelado no chão. Ainda bem que o prejuízo foi só a cadeira...

Nesse ponto abro um parêntesis: - o ser humano é um imbecil, não é mesmo? – fecho o parêntesis.

Para que o leitor possa entender, preciso descrever duas coisas importantes a este texto: primeiro, a gata e, segundo o confortável e belo banheiro da casa.

Julie, a gata, já está aqui mais de três ou quatro anos, chegou era ainda pequena. Se ela está com fome ou com sede, chega perto da gente miando baixo, um miado fraquinho, pedinte. Se a gente não se mexe, fica miando até que notamos sua presença. E quando vamos ver o que ela quer, se está com fome para perto do pires, ou se está com sede entra no banheiro, sobe no vaso e fica esperando a gente abrir a torneira da pia para beber água. Outra coisa, quando está trancada dentro de casa, ela sobe na pia e abre o vitro e sai. Por isso deixo sempre o vitro do banheiro aberto, para Julie entrar e sair. E por esses dias apareceu um gato preto esmiuçando o quintal e, não é que o danado aprendeu a entrar pelo vitro do banheiro, comer a ração da gata e sair pelo vitro! Já peguei diversas vezes na cozinha se regalando com a comida da Julie.

Ah! O banheiro! O banheiro de casa é confortável, espaçoso, estupendo, tanto é que levo quase duas horas tomando banho, pois de baixo do chuveiro é possível esticar a mão e apertar a descarga, é só esticar a mão para frente consigo abrir o vitro, é só esticar a mão para a direita consigo abrir a torneira da pia, de tão grande que é o banheiro, e, outro detalhe, não é nem preciso sair debaixo do chuveiro. Então...

Mas voltemos ao PPS, ao senhor Pilates, meu querido inteligente amigo Pilates.

Já passava mais das oito horas, não estávamos no horário de verão, portanto já era noite. Antes mesmo de entrar no banheiro fechei bem os olhos, apaguei a luz e entrei apalpando a parede, a pia, tateie até achar a torneira do chuveiro, abri e a gostosa água desabou sobre meu corpo. Estava me saindo bem, me regozijando com a experiência, conhecendo a textura dos objetos, sabonete, xampu, a bucha... Mas, sempre tem um mas, não é. O gato preto entra pelo vitro, não sei por que, pulou em mim, talvez assustado, me assustou e quando percebi acordei numa cama de hospital. O braço esquerdo e a perna direita engessado.

Minha filha e meu genro arrombaram a porta sanfonada e me encontraram com a cara dentro do vaso, a mão esquerda coçando minha nuca e o calcanhar direito cutucando minha bunda. Tanto eles como eu não sabemos exatamente o que aconteceu. Sei que agora, toda vez que olho para minha filha e meu genro fico envergonhado por terem me encontrado pelado e numa posição valha meu Deus, ridícula demais, isso sem contar com as chacotas, o vexame...

Ah! Se pego esse Pilates...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...