sábado, 24 de julho de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.705(2021)

        

            O carro enfrentando o trânsito lento ao cruzar a avenida principal passava pelo viaduto. A manhã clara, apesar da temperatura baixa, dava-lhe a esperança de que o dia seria proveitoso. Olhando através do vidro da janela meia abaixada, o vento gelado nos cabelos grisalhos, via os contornos dos prédios envoltos pela camada fina do nevoeiro, a mente se impregnava nas maquinações de palavras uma após a outra surgindo sem critério que procurava se fixar no abstrato para mais tarde passar para o caderno. Sabia ser um estratagema difícil, pois, assim que colocava o caderno de anotações a sua frente, acomodado na cadeira preferida, com a caneta entre os dedos, as palavras fugiam, se desvaneciam e não conseguia lembrar de nenhuma delas. O vazio da inspiração o atormentava em devaneios surrealistas.

            É isso... ou, não é?

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