O
carro enfrentando o trânsito lento ao cruzar a avenida principal passava pelo
viaduto. A manhã clara, apesar da temperatura baixa, dava-lhe a esperança de
que o dia seria proveitoso. Olhando através do vidro da janela meia abaixada, o
vento gelado nos cabelos grisalhos, via os contornos dos prédios envoltos pela
camada fina do nevoeiro, a mente se impregnava nas maquinações de palavras uma
após a outra surgindo sem critério que procurava se fixar no abstrato para mais
tarde passar para o caderno. Sabia ser um estratagema difícil, pois, assim que
colocava o caderno de anotações a sua frente, acomodado na cadeira preferida,
com a caneta entre os dedos, as palavras fugiam, se desvaneciam e não conseguia
lembrar de nenhuma delas. O vazio da inspiração o atormentava em devaneios
surrealistas.
É
isso... ou, não é?
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