quinta-feira, 1 de julho de 2021

Contos surrealistas 40

                                     Dissoluto

 

Era sábado. Não sei quem foi o boateiro que propagou a festa em casa. Não sou de ficar lamentando o ocorrido, mas... A turma foi chegando devagar. Chegavam e se aboletavam pela sala, cozinha e outras dependências. Quando fui ver a casa ficou super agitada, havia muita gente, muita conversa muita bebida, muita comida... 

Não sei, eu não estava preparado para tudo aquilo, foi de uma hora para outra. O pessoal chegava uns sozinhos, outros aos pares, quando dei conta, a casa estava cheia. Dando atenção para cá e para lá, conversando com beltrano e sicrano, arrumando uma coisa, ajeitando outra, quando me dei conta estava embriagado.

Comecei a me enojar de tudo. O que colocava na boca revirava o estômago. Eram indícios de que eu devia parar. Sentia-me terrivelmente miserável no meio da balbúrdia desenfreada. Em cada quarto havia sempre um casal entrelaçados saciando seus instintos bestiais e desenfreados.

O maldito cheiro de esperma, de podridão humana, penetrava em meu nariz me nauseando. Como pude deixar acontecer tudo isso? De repente, sem que eu pudesse atinar como, estava do lado de fora da casa. Aos poucos perdi o controle das emoções e as lágrimas silenciosamente começaram a escorrer pelo meu rosto. Chorei, chorei por um longo tempo, um choro silencioso, sem dor.  Na calçada, os cacos do copo, estavam espalhados não sei como, e minha camisa manchada de vinho. Um gandaieiro revirava a lata de lixo, talvez feliz.  

Ah! Baco! Ah! Insaciável Baco! Veja no que me transformou. Procurei me acalmar. Voltei para dentro e encontrei um relativo silencio. Como me encontrava mergulhado na total escuridão, caí nas trevas da alucinação que impe­rava no meio da sala. Rolei de braço em braço, beijei, fui beijado, acariciei, fui acariciado, sem me importar quem me abraçava, quem era quem. Não sei por quanto tempo estive nessa loucura insana. Não sei também, quem me tirou dali. Apenas percebi que perdia a consciência e que estava sendo carregado. No outro dia ao levantar, tudo girou. Corri ao banheiro. Vomitei. Depois, tomei uma ducha que me relaxou. Nu e molhado caí na cama em profundo sono catatônico.

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