Uísque.
Três pedras de gelo boiavam no liquido amarelo.
Empurradas de um lado para o outro, batiam na parede do copo produzindo um som estridente
e seco. O dedo comprido e fino obrigava os cubos girarem em volta deles mesmo.
Outras vezes, o balançar do copo fazia com que o gelo dançasse num ritmo
próprio. O copo preso entre os dedos finos com unhas bem tratadas, era apenas
instrumento para que a bebida fosse ingerida. A noite estava propicia. A
conversa agia ao comando do álcool. As vozes se alteravam impondo-se umas sobre
as outras, mas nada que pudesse ser levada a sério.
Depois do quinto copo Renan subiu a escada em direção
ao toalete. Nas paredes viam-se pequenos cartazes com textos sobre uísque, história,
destilação, os populares, os melhores, como identificar o falso do verdadeiro,
como reconhecer o sabor, o aroma, até um ritual para beber condignamente estava
detalhado em vários cartazes ao longo do corredor.
Renan Francis de Oliveira tinha chegado ao fim do
corredor, onde havia doze portas, seis de cada lado e uma no meio, portanto,
treze. Azar ou sorte, disse ao virar o trinco de metal provocando um ruído seco.
Empurrou a porta e entrou tudo lhe era estranho, lugar, gente, lugar, ambiente,
até parece que estou numa terra estranha, disse a si mesmo.
Uma forte luz o cegou por momento para logo em seguida
cair numa escuridão profunda. Atordoado não ousava se mexer. Sentia o silêncio
envolvendo-o. Aos poucos começou ouvir vozes. Distantes, disformes, não claras,
pequenos pedaços de palavras chegavam até ele. Não distinguia onde estava ou o
que tinha acontecido. Mas o que tinha lhe acontecido. Nada, apenas estava a
procura do toalete e nada mais.
Nisso pequenos feixes de luzes atingiam os seus olhos.
Surgiam à direita, à esquerda aleatoriamente. Aturdido, era-lhe impossível
acompanhar o bombardeamento. Durante quase cinco minutos, o que mentalmente
contara, ou que achava que fosse cinco minutos, abriu os olhos.
- Bom dia. Como está?
Os lábios se mexiam e não dizia palavra nenhuma.
- Calma, não se
desespere. Você passou quase cinco dias em coma alcoólica, agora precisa
descansar.
O que? Coma alcoólica? Cinco dias? Fechou os olhos
novamente e pode ouvi a voz que desaparecia ao longe...
- Enfermeira... Ajude-me... Aqui...
Nenhum comentário:
Postar um comentário