A
insônia começava dominar o seu corpo. Roberto pegou o caderno, a esferográfica
e sentado com as costas apoiada na guarda da cama começou a escrever. Não
pensou no que deveria escrever, apenas deixou a mão deslizar as palavras pelas
linhas do caderno. Tinha deixado no passado a inquietude. Soubera com esforço
que quase o aniquilara, lutar contra o mal a puni-lo. Estava confortável na
pequena casa de madeira, a qual denominara de choupana. E sentado na cama de
madeira com um colchão gasto, amarelado, não desejava mais nada além do que já
tinha. A satisfação era um simples desejo que proporcionava o que lhe era
suficiente. E ele era grato a isso. aos poucos a luta que se impusera e
iniciada terminava, em sua vida não havia mais nada da vida que levara no
passado. Aquela vida desgarrada de qualquer sentimento puro, e até um pouco
ousada, perniciosa, cheia de vícios que a modernidade o obrigava a levar estava
se findando. Compreendia a impureza da sociedade a aprisionar sua alma ao
desenfreado consumo dos prazeres materiais e sexuais. Também, compreendera que
vivendo com Patrícia nada mais foi que uma simulação de uma felicidade de
atraso mesquinha. Ao descobrir sua traição, ao encontrar ela e seu melhor amigo
transando em sua cama, fomentou um ódio e desprezo pelos dois a ponto de criar
um sentimento de aversão ao mundo, especificamente aos humanos. E ele que
acreditava e pensava em se casar e, toda vez ao pensar nisso, se enchia de nojo
dos dois. Uma dor forte como o impacto de um murro abriu em seu peito um buraco
imenso. Colheu o vazio que se instalou levando-o a decepção. Não disse nada,
não esbravejou, nem mal disse o acontecido, apenas uma leve revolta toldou os
olhos castanhos trazendo calma a alma. A única reação violenta que Patrícia
presenciou, foi ao sair de casa, fechou a porta com força que o vidro que a
enfeitava se estilhaçou. Por semanas não souberam do seu paradeiro, nem amigos,
nem os pais e muito menos a empresa. Quando um belo dia, Roberto aparece para
pegar suas roupas tão somente, deixando tudo o mais, livros, objetos pessoais,
até o violão que vinha tomando aulas, tudo ficou om Patrícia. Desconcertada
Patrícia viu o mal que fizera, mas não tinha como voltar atras, não tinha
forças para enfrentar a calma passiva de Roberto. Tentou, procurou falar-lhe,
no entanto foi inútil, ele virou as costas e nunca mais a viu. Um ano depois,
sua mãe recebeu um cartão vindo do outro lado do mundo.
É
isso... ou, não é?
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