domingo, 26 de setembro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.735(2021)

        

            A insônia começava dominar o seu corpo. Roberto pegou o caderno, a esferográfica e sentado com as costas apoiada na guarda da cama começou a escrever. Não pensou no que deveria escrever, apenas deixou a mão deslizar as palavras pelas linhas do caderno. Tinha deixado no passado a inquietude. Soubera com esforço que quase o aniquilara, lutar contra o mal a puni-lo. Estava confortável na pequena casa de madeira, a qual denominara de choupana. E sentado na cama de madeira com um colchão gasto, amarelado, não desejava mais nada além do que já tinha. A satisfação era um simples desejo que proporcionava o que lhe era suficiente. E ele era grato a isso. aos poucos a luta que se impusera e iniciada terminava, em sua vida não havia mais nada da vida que levara no passado. Aquela vida desgarrada de qualquer sentimento puro, e até um pouco ousada, perniciosa, cheia de vícios que a modernidade o obrigava a levar estava se findando. Compreendia a impureza da sociedade a aprisionar sua alma ao desenfreado consumo dos prazeres materiais e sexuais. Também, compreendera que vivendo com Patrícia nada mais foi que uma simulação de uma felicidade de atraso mesquinha. Ao descobrir sua traição, ao encontrar ela e seu melhor amigo transando em sua cama, fomentou um ódio e desprezo pelos dois a ponto de criar um sentimento de aversão ao mundo, especificamente aos humanos. E ele que acreditava e pensava em se casar e, toda vez ao pensar nisso, se enchia de nojo dos dois. Uma dor forte como o impacto de um murro abriu em seu peito um buraco imenso. Colheu o vazio que se instalou levando-o a decepção. Não disse nada, não esbravejou, nem mal disse o acontecido, apenas uma leve revolta toldou os olhos castanhos trazendo calma a alma. A única reação violenta que Patrícia presenciou, foi ao sair de casa, fechou a porta com força que o vidro que a enfeitava se estilhaçou. Por semanas não souberam do seu paradeiro, nem amigos, nem os pais e muito menos a empresa. Quando um belo dia, Roberto aparece para pegar suas roupas tão somente, deixando tudo o mais, livros, objetos pessoais, até o violão que vinha tomando aulas, tudo ficou om Patrícia. Desconcertada Patrícia viu o mal que fizera, mas não tinha como voltar atras, não tinha forças para enfrentar a calma passiva de Roberto. Tentou, procurou falar-lhe, no entanto foi inútil, ele virou as costas e nunca mais a viu. Um ano depois, sua mãe recebeu um cartão vindo do outro lado do mundo.

            É isso... ou, não é?

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