Dia de aula de música e lá estava o avô com as netas no centro cultural, devidamente mascarado. Os professores se esforçavam para ministrar a aula devido as máscaras e a distância entre os alunos. Crianças e adultos numa roda imensa como convém as orientações da pandemia. Uma hora depois ele e as netas desciam a rua para o ponto ônibus. E como só passava ônibus superlotado, resolveu chamar um Uber. Se dirigiu para um lugar menos movimentado e com um olho no celular e dois nas netas que brincavam, chamou o Uber.
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Meninas fiquem perto do vô.
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Vô, to com fome, disse uma.
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Vô, to cansada, disse a outra.
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Vê se não demora que as meninas têm provas ainda, mensagem no WhatsApp da vó.
Nisso o Uber acha um motorista. Quatorze
minutos o tempo para ele chegar ao destino de partida. O vô esperou mais de
trinta minutos e nada do motorista, e de repente o fulano cancela o chamado.
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Que merda!
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Que foi, vô.
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O motorista cancelou a chamada.
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Vamos pegar o ônibus.
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Vamos, to vendo que está passado ônibus vazio.
E
voltaram para o ponto de ônibus, por sorte chegou um bem vazio. Pegaram, elas
sentaram e o vô em pé procurava cancelar a chamada do Uber, até que conseguiu e
teve que pagar uma taxa pelo cancelamento. Engraçado, quando é eles que
cancelam a chamada não pagam taxa nenhuma, mas quando é a gente temos que pagar
uma taxa, pensou o vô, pena que não lembro o nome do motorista que cancelou a
chamada para reclamar.
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Que merda!
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O que foi vô.
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Nada.
É
isso... ou, não é?
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