domingo, 31 de outubro de 2021

Contos surrealistas – 05

                               "No te asustes de la noche

 Que en la noche vivo yo".

 

A noite escorre o sulco pelas bordas da paisagem de concreto onde as almas migram de esconderijo para esconderijo. Escrevo nas páginas escuras da pele, pois à noite não me assusta. Ando por intrincados meandros na descoberta do que não sei para sentir o eu pulsante. Balbucio os sons dos esqueletos dos prédios vazios com suas luzes fantasmas. Cheiro odores ao esquadrinhar bares de sangues alcoólicos na paz dos copos. Sinto no milímetro do aço a ação do tempo corroendo os braços. Escalo roteiros ao concretizar os passos de angústia pelas esquinas. Vivo cada grão luminoso em intensidade limite. Sou à noite no meu corpo se transfundindo com a noite da cidade.

Vivo simplesmente para concretizar a saudade ao meu viver.

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